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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Seminário organizado pelo Fórum de Saúde do Rio discute democratização da mídia e protestos de 2013

por Rodrigo Barrenechea, editor


Realizado na UERJ no dia 29 de abril passado, o Seminário "Democratização da informação,
imprensa alternativa e luta contra-hegemônica - desafios na conjuntura atual" contou com cerca de 150 presentes e reuniu vários dos principais nomes do debate sobre os meios de comunicação do Brasil. Foram duas mesas de debates, uma mediada por Maria Inês Bravo, professora da Escola de Serviço Social da UFRJ, e outra por Felipe Abranches Demier, bolsista de pós-doutorado da Faperj.

Confira abaixo os vídeos, feitos pela ANotA, da segunda mesa. Logo postaremos os vídeos da primeira mesa.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A revolta dos 'invisíveis'... e a covardia dos bilionários

por Gibran Jordão

Garis fazem protestos no Rio de Janeiro.
 (Mídia Ninja - Creative Commons)
O Jornal Nacional foi obrigado a destacar em sua cobertura do CARNAVAL 2014 a greve dos trabalhadores da COMLURB. E a Globo foi cruel! Editaram a noticia com um tom claro de reprovação da greve dos garis tentando atrair a opinião publica para isolar uma greve que ganhou apoio majoritário nas redes sociais...

Nesse mesmo dia a FORBES publicou a lista dos bilionários brasileiros no qual estão os Irmãos Marinho (donos da TV Globo). João, José e Irineu Marinho, cada um guarda uma fortuna no valor de R$ 9 bilhões, juntos são a família mais rica e poderosas do país e do continente sul americano (veja aqui).

O fenômeno da "Invisibilidade Social" tem haver com a forma como são vistos os trabalhadores de profissões desprovidas de status, glamour, reconhecimento social e adequada remuneração. Os Garis participam desse fenômeno e são trabalhadores de uma profissão que sofre cotidianamente com as dores da marginalidade social.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Abra o olho, você está sendo usado! O que a mídia não fala sobre as mortes nas manifestações

Ei, você aí que está revoltado com a morte do cinegrafista Santiago Andrade com um rojão disparado por manifestantes. Sua revolta é legítima. Mas você sabia:

1 – Que no mesmo dia da tragédia o camelô Tasman Amaral Accioly morreu atropelado depois de correr de uma ação truculenta da polícia para reprimir o protesto? A grande mídia até noticiou, mas deu a mesma importância?

2 – Que além do cinegrafista e do camelô outras 9 pessoas morreram durante as manifestações que ocorrem desde junho do ano passado? Uma dessas mortes foi a de uma gari que passou mal depois de inalar gás lacrimogênio lançado pela polícia. A grande mídia deu importância para isso?

3 – Que o Congresso Nacional está perto de aprovar uma lei que pode levar uma pessoa a ficar até 30 anos na cadeia por participar de manifestações de rua? Será que a grande mídia está fazendo este estardalhaço por comoção com a morte do cinegrafista ou por interesse na aprovação dessa lei?

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Nota da ANotA em solidariedade à família de Santiago Ilídio

Queremos prestar nossa solidariedade a família de Santiago Ilídio, cinegrafista do Grupo Bandeirantes de Comunicação, que veio a falecer na manhã de ontem (10/02) em decorrência de graves ferimentos durante a cobertura da manifestação pela redução do valor das passagens e por mais qualidade no transporte público.

Santiago foi mais uma vítima da truculência dos governos que seguem aumentando seu nível de repressão as manifestações desde as jornadas de junho de 2013. Além de Santiago, um senhor de idade morreu atropelado no mesmo dia, em decorrência 
do "corre-corre" provocado pela truculência policial no ato realizado na Central do Brasil.

Nas manifestações de rua, os profissionais da imprensa (seja da grande mídia ou midiativistas) são rotineiramente agredidos, em sua imensa maioria, pela polícia militar do
Rio de Janeiro, como demonstra levantamento feito pela ABRAJI.

Responsabilizamos os governos Cabral e Paes, através da repressão, e as empresas da grande mídia, por não oferecerem equipamentos adequados de proteção ao trabalhador, por mais essa fatalidade. É com infelicidade que lembramos a todos e todas que esse é mais um caso na Bandeirantes do Rio de Janeiro, já que em 2011 o também cinegrafista Gelson Domingos da Silva morreu durante uma cobertura jornalística em que a PM invadiu a Favela de Antares, na Zona Oeste do Rio.

As passagens aumentaram. Dois trabalhadores morreram. Os senhores de gabinete sorriem.

ANotA - Agência de Notícias Alternativas

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Raquel Sheherazade, adote um miliciano!

por Ademar Lourenço, de Brasília
 repórter da ANOTA

A bola da vez das redes sociais foi a declaração da jornalista Raquel Sheherazade defendendo a ação de um grupo de justiceiros que prenderam um adolescente de quinze anos em um poste. Muita gente defendeu a jornalista e seu discurso de “legítima defesa coletiva”. Na verdade o que ela fez foi defender bandidos mais perigosos que qualquer adolescente infrator: os milicianos.

A ação das milícias não tem nada a ver com legítima defesa. Uma coisa é a atitude do pequeno comerciante da periferia de Brasília que recentemente amarrou uma pessoa que tentou roubar sua loja e entregou o meliante para a polícia. A polícia estava em greve, o comerciante foi diretamente agredido e a reação não foi além da necessária para deter o roubo. Essa atitude, extrema e desesperada, é diferente da atitude dos grupos que “fazem a justiça” de vários bairros Brasil afora.

As milícias são um dos principais problemas do país. Quem viu o filme “tropa de elite 2” ou conhece lugar com atividade miliciana sabe do que eu estou falando. Eles extorquem a população local, muitas vezes dão cobertura para o tráfico e frequentemente agem como assassinos de aluguel. Agem de acordo com interesses obscuros. É difícil imaginar que eles não estejam a serviço de gente poderosa, que quer lucrar com a tal “segurança particular”. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pelo direito de amar, de ser respeitado e feliz: criminalização da homofobia já

Por Adriano Espíndola Cavalheiro,  
Especial para a ANOTA - Agência de Notícias Alternativas
  
A reação ao beijo de Félix e Nico na novela 'Amor à Vida' é
reflexo da homofobia que permeia a sociedade brasileira.
Lutar para que o respeito aos gays não fique na ficção.
Pasmem, mas o Brasil é o país onde há mais assassinatos de homossexuais no mundo. Em 2012 foram 338 assassinatos; em 2013 mais de 300. Em 2014, apenas no mês de janeiro, mais de 30 gays e lésbicas foram assassinados.

Essas mortes são resultados de uma sociedade onde a homofobia oprime aos LGBT’s (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e Simpatizantes) nas escolas, no trabalho, na família, na igreja e nas esquinas escuras das pequenas cidades ou largas avenidas dos grandes centros urbanos, o que é um absurdo inominável pois os LGBT’s lutam apenas pelo direito de amar e de serem respeitados enquanto seres humanos.

No Brasil, mesmo depois de cerca de 25 anos de redemocratização e quase 12 anos de governo de um partido, refiro-me ao PT, que dizia combater toda a forma de opressão, se você ofender alguém por causa da cor da pele, chamando a pessoa de macaco, preto safado, etc., estará cometendo crime racismo, o qual é imprescritível e inafiançável, medida que, vale dizer, é mais do que correta. Contudo, se você chamar um gay de “pecador nojento”, “promíscuo sujo”, “viadinho”, “mulherzinha”, em vez de ser punido, será visto por muitos como defensor dos bons costumes e a moralidade.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Meu conceito de Direito e porque aderi à ANOTA

por Adriano Espíndola Cavalheiro, de Uberlândia
especial para ANOTA

O conceito de Direito, vai se revelando em seu conteúdo verdadeiro, somente como passar do tempo de exercício da advocacia.

Ao prestar vestibular, há mais de vinte anos atrás, optei pelo o curso de Direito, pois acreditava que assim eu estaria me capacitando, da melhor forma possível, para lutar por Justiça. 

Porém, nos primeiros anos da Universidade, em verdade já no primeiro ano de contato com a academia, condicionaram-me a acreditar que o Direito era uma ciência. O tempo transcorreu, e questionador desde sempre, passei a desconfiar que tudo aquilo que me ensinavam não tinha nada de conhecimento cientifico, sendo tão somente aprendizado técnico, enfeitado de glamour pelos detentores do conhecimento, para exercer diversas profissões. Foi ai que passei a desconfiar que Direito nada tinha haver com a luta pela Justiça. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Futebol e Capitalismo: Tudo a ver!

por Teones França, historiador, professor e torcedor fanático do Flamengo

Nos últimos dias temos visto muitos cronistas esportivos, que se esforçam para se apresentarem com um viés politicamente correto, criticarem a exorbitância dos preços dos ingressos para o jogo entre Flamengo e Atlético-PR no Maracanã, pela final de um campeonato nacional, que variam de 250 a 800 Reais. Valor maior do que as entradas para alguns jogos da Copa do Mundo do próximo ano.

Além de questionarem a diretoria do clube pela ganância do retorno financeiro estupendo em um único jogo esses jornalistas defendem a tese de que o Flamengo é um time de massa e, portanto, tem mais possibilidade de sagrar-se campeão caso possa contar com o grito da favela,  o que se tornará impossível pois a maior parte dos seus torcedores - assim como a quase totalidade da população brasileira - não pode se dar ao luxo de gastar essa quantia numa noite apenas.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cerca de 3.000 pessoas participaram de ato ecumênico em memória das vítimas de massacre policial na Maré

Foto: M. Laureano

Por M. Laureano e R. Noel, do Rio de Janeiro


Milhares de manifestantes, entre moradores e solidários às famílias, participaram na tarde de hoje de protesto contra o assassinato de 13 moradores durante invasão policial, realizada na semana passada na comunidade da Maré.

 Sob o mote "Estado que mata, nunca mais", os manifestantes mostravam faixas e cartazes exigindo respeito a vida e o fim da violência policial. Muitos ativistas presentes exigiram o fim da pm, como Júlio Anselmo, estudante da UFRJ: "Vivemos uma verdadeira limpeza étnica. É um absurdo! Exigimos o fim da militarização da polícia já!", disse o estudante que também levantou as bandeiras "Fora Beltrame" e "Fora Cabral". 

A mãe de uma das vítimas desabafou: "Cansei de enterrar meus filhos, meus vizinhos, que foram mortos só por estarem nas ruas, quando a polícia do Cabral entra atirando na Maré. Essa dor eu não quero mais. Fora Cabral, fora Caveirão. Estado que mata, nunca mais!", disse emocionada.

Antes do encerramento, os manifestantes ocuparam duas pistas laterais da Avenida Brasil (principal meio de ligação com o Centro da Cidade) para demonstrar toda indignação para a população e autoridades com o cotidiano violento promovido pelo estado opressor. Advogados da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ também acompanharam o ato. Uma equipe das Organizações Globo foi amplamente vaiada pelos participantes do ato.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Atos no Rio marcam a final da Copa das "Manifestações"


Uma grande faixa foi estendida em um dos prédios da
Praça Afonso Pena, local de encerramento do 1º ato.
(Foto: Rodrigo Noel)
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

Duas grandiosas manifestações marcaram o dia de ontem (30), que ficará guardado na memória dos cariocas.

O primeiro ato iniciou a concentração às 10h, na Praça Saens Peña (Zona Norte do Rio). Convocado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíada (fórum que reúne partidos de esquerda, sindicatos, entidades estudantis, associações de moradores, centrais sindicais entre outros organismos do movimento social), o ato seguiu sem maiores problemas, mesmo com a forte presença do aparato policial em todo o entorno do Maracanã. A forte presença da polícia militar era o único elemento desestabilizador na região.

Durante todo o trajeto, diversos moradores seguiam até a porta dos prédios, das casas ou na frente das janelas para acenar, demonstrando apoio as reivindicações dos manifestantes presentes. O volume de recursos destinados para as obras da copa/olimpíadas  era um questionado por todos, assim como o unânime repúdio e exigência de anulação da privatização do Maracanã, feito pelo governo Sérgio Cabral para beneficiar o empresário Eike Batista. As remoções forçadas de moradores de comunidades tradicionais e bairros da periferia da cidade também foram duramente repudiadas pelos manifestantes, assim como a defesa da reabertura do Parque Aquático Julio Delamare e a manutenção da Escola Municipal Friedenreich (ameaçada de demolição pelo prefeito Eduardo Paes).

terça-feira, 25 de junho de 2013

Novos manifestantes e militantes da esquerda devem se unir

por Ademar Lourenço, de Brasília

Parte da militância tem se mostrado preocupadas com as manifestações. Elas falam que é uma massa manipulada pela mídia e que o conteúdo das manifestações é fascista. Inclusive essas pessoas dizem que essa mesma mídia prepara um golpe contra a presidente Dilma.

Quem está indo para as manifestações, em sua maioria, é gente que nunca participou de atividades políticas. Uma geração que foi criada por vinte anos na passividade. Alguém acha que iria sair uma massa de duas milhões de pessoas já conscientes, prontinhas para assumir as bandeiras progressistas?

sábado, 22 de junho de 2013

Mídia brinca com fogo, amanhece molhada, e agora quer apagar o incêndio


Quem não foi às manifestações e acompanhou tudo pela mídia deve estar com vontade de se esconder debaixo da cama. Afinal, vândalos vindo de todos os lados estão quebrando tudo indiscriminadamente. Esse é o recado que a mídia quer passar. Não vá a manifestações, é perigoso. Você pode se machucar. Foi bonito se manifestar, mas já deu.

A relação da mídia com os últimos protestos teve três momentos. No início das mobilizações, os canais de televisão e os jornais defendiam a repressão. Um editorial do Estado de São Paulo pedia atitudes enérgicas contra os manifestantes.

Depois que a população começou a aderir, a mídia mudou de rumo. A repressão a jornalistas e a chance de desgastar o governo Dilma foram fatores que contribuíram para que os jornais e a TV passassem a “apoiar” as manifestações. Desde que, é claro, elas fossem despolitizadas e se limitassem ao combate a corrupção.

Agora a mídia espalha o pânico e quer que as pessoas voltem para casa com medo. Afinal, o grande problema do país são os vândalos que acabam com as manifestações. Não é a inércia do Poder Público em atender as reivindicações do povo. Não é polícia que reprime. 

As depredações não fazem sentido. De fato, desgastam a manifestação. Mas porque pautar as reportagens nisso? A mídia não poderia pautar as reportagens na postura dos governos, que até agora não ouviu a voz das ruas? As manifestações não interessam mais os grupos de mídia, pois a própria mídia começou a ser questionada.