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segunda-feira, 30 de março de 2015

Esqueletos no armário

por Andrés Lawner, especial para a ANotA

 
Às vésperas de completar 51 anos, o golpe militar de 1964 ainda provoca intensa controvérsia. Uma série de lugares-comuns é dita sobre ele, como “na ditadura não havia corrupção”, “sob os militares o crime estava contido” e “precisamos de uma intervenção militar”. Esta última um repeteco do que era dito nos anos anteriores à queda de João Goulart, onde quem pediu isso acreditava que o regime ditatorial seria curto e restauraria as liberdades. 21 anos se passaram enquanto isso...

  Muito já foi dito e estudado sobre o assunto. Que Goulart, o PTB e o PCB cavaram a própria cova. Que os EUA estavam por trás de tudo. Que não estavam. Até mesmo, que o empresariado que apoiou o golpe era tão importante no regime que este mereceria ser chamado de “ditadura civil-militar”. O que pouco foi dito é o que temos como legado dele até hoje, e que alguns setores da sociedade insistem em trazer à tona dessa “herança maldita”. Os “esqueletos” que ainda insistem em se manter no armário.

sábado, 26 de abril de 2014

Querem calar a Verdade?‏

por Max Laureano, especial para a ANotA

Charge de Clara Paiva
O ex-Coronel do SNI, Paulo Malhães, que admitiu participar de tortura para a Comissão da Verdade, foi encontrado morto, por asfixia, no Rio de Janeiro. Ele  teve sua casa invadida, e sua mulher e caseiro foram feitos reféns.

Para a jornalista Ana Helena Ribeiro Tavares, a morte de Malhães não foi uma simples "queima de arquivo", como a do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury.

Segundo relatos no livro Memórias de uma Guerra Suja, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social do Espírito Santo (Dops), Cláudio Antônio Guerra, assume que, na condição de um ex-agente da repressão aos opositores da ditadura militar, o também delegado Sérgio Paranhos Fleury teria sido assassinado por ordem dos próprios militares.

Segundo Claudio Guerra, "o delegado Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar e não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria". Ainda, segundo o mesmo, "Fleury teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar, fato que justificaria a estranha ausência da necropsia do cadáver".

Fleury foi um arquivo queimado sem ser aberto. Paulo Malhães, no entanto, já tinha jogado muita coisa no ventilador. Foi morto por vingança, pela caixa preta que abriu e como tentativa de silenciar outros. Nisso, a morte por asfixia é bem simbólica: talvez Malhães tivesse mais a falar, nomes a dar, ainda que tenha falado muito antes de morrer.

Seu assassinato é, ao que parece, vingança dos que ainda se escondem e tentativa de intimidar outros agentes da repressão. Pelo visto, algumas pessoas têm tanto medo que estão matando seus pares, comensais da morte nos porões da ditadura de hoje.

terça-feira, 1 de abril de 2014

50 anos do golpe militar: 50 anos de Impunidade

por Mariana Rio, da ANEL-RJ, 
especial para a ANotA

Hoje é dia 1º de abril, dia da mentira. Também hoje, há 50 anos, foi instalado o regime civil-militar brasileiro que se estendeu de 1964 á 1985 e perseguiu, prendeu, torturou e assassinou milhares de jovens e trabalhadores.

Nos últimos dias, diferentes jornais e emissoras de TV vem fazendo especiais sobre o golpe. Várias atividades estão acontecendo para marcar a data e atos de rua irão acontecer em diferentes cidades.

Até hoje, muito do que ocorreu no período de 1964 a 1985 ainda permanece obscuro. Não sabemos de fato nossa historia, há décadas a sociedade brasileira vem travando uma batalha por sua memória e parte considerável dos arquivos da ditadura permanece fechada. A Comissão da Verdade, que poderia cumprir um papel histórico de reparar e regatar a memória de milhares de brasileiros que foram atingidos pelo regime militar, mostrou-se insuficiente, não tem verba, não tem apoio do governo para desenvolver o trabalho e não possui poder de julgar.

O último balanço realizado pela Comissão da Verdade aponta pelo menos 50 mil atingidos direta ou indiretamente em seus direitos e cerca de 400 mortos, isso sem contar os milhares de indígenas que foram violados e mortos e as mortes provocadas pelo modelo de desenvolvimento econômico imposto, que proporcionou a população mais pobre um péssimo sistema de saúde e de saneamento públicos e que mantiveram altíssimas taxas de mortalidade infantil durante todo o período. Com um forte apoio das potências imperialistas, especialmente dos EUA, o golpe brasileiro aprofundou a desigualdade e a pobreza no país. A desnacionalização da economia brasileira aumentou a hegemonia norte-americana no território brasileiro.

São 50 anos de impunidades são 50 anos de criminalização 

dos movimentos sociais, dos pobres, das organizações de esquerda

Diferente do que aconteceu em outros países da América Latina, o Estado brasileiro fez a opção de esconder seus ossos no armário. O Brasil promulga uma anistia ampla e irrestrita, e nenhum torturador do regime foi punido, nenhuma empresa ou empresário, emissora de TV ou jornal, que colaborou com os militares, ninguém foi punido por seus crimes. Hoje, parte da estrutura de repressão montada pelos militares para perseguir, prender e torturar seus opositores segue viva. A mesma polícia militar que comete atrocidades há 50 anos, tortura e mata trabalhadores e jovens diariamente nas favelas e periferias das grandes cidades.