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segunda-feira, 30 de março de 2015

Esqueletos no armário

por Andrés Lawner, especial para a ANotA

 
Às vésperas de completar 51 anos, o golpe militar de 1964 ainda provoca intensa controvérsia. Uma série de lugares-comuns é dita sobre ele, como “na ditadura não havia corrupção”, “sob os militares o crime estava contido” e “precisamos de uma intervenção militar”. Esta última um repeteco do que era dito nos anos anteriores à queda de João Goulart, onde quem pediu isso acreditava que o regime ditatorial seria curto e restauraria as liberdades. 21 anos se passaram enquanto isso...

  Muito já foi dito e estudado sobre o assunto. Que Goulart, o PTB e o PCB cavaram a própria cova. Que os EUA estavam por trás de tudo. Que não estavam. Até mesmo, que o empresariado que apoiou o golpe era tão importante no regime que este mereceria ser chamado de “ditadura civil-militar”. O que pouco foi dito é o que temos como legado dele até hoje, e que alguns setores da sociedade insistem em trazer à tona dessa “herança maldita”. Os “esqueletos” que ainda insistem em se manter no armário.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Impeachment para quem?

por Andrés Lawner, especial para a ANotA


Foto: Murilo Rezende (Futura Press)
 Na semana passada foi uma mensagem sem assinatura que circulou país fora pelos grupos de Whatsapp. Esta semana, já é um evento. Toma corpo um movimento que visa impedir Dilma Rouseff de terminar seu mandato, aparentemente pela via constitucional, apesar de que há setores que abertamente defendem uma intervenção militar. Reivindicando a luta contra a corrupção e relembrando os caras-pintadas dos anos 1990, dizem que chegou a hora de sair às ruas e pedir a saída de Dilma, por meio de uma ação de impeachment. Ela, segundo dizem, teria sido conivente com a corrupção ou, ainda mais, estaria envolvida até o pescoço nela.

 Sem querer, num primeiro momento, julgar tais acusações, cabe aqui tentar entender a quem interessa isso. Quem estaria por trás deste movimento. E qual seria seu real alcance. Será algo como a meia-dúzia que protestou após as eleições, com Bolsonaro, Lobão e o PSDB à tira-colo? Ou vamos ver algo realmente multitudinário? Estamos vendo mais um capítulo da novela "Choro de perdedor" ou há um fenômeno novo, uma reorganização de uma direita golpista e abertamente reacionária?