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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Rio de Janeiro realiza primeiro ato contra o aumento das passagens em 2014

texto e fotos por Rodrigo Barrenechea, editor

Fim de tarde no centro do Rio, ainda fazia bastante calor, mas nuvens carregadas tomavam o céu de assalto. Aos poucos, os manifestantes iam chegando na Candelária, suas bandeiras vermelhas, pretas, suas faixas e cartazes. Os discursos que antecederam o ato se sucediam mas a tônica era a mesma: ninguém aceitará um novo aumento da passagem sem resistência. Lembre-se que, se no município do Rio a tarifa ainda não aumentou, em São Gonçalo ou nos intermunicipais o preço já sofreu reajuste...


 Cerca de mil manifestantes se reuniram e começaram a marcha, seguindo pela Avenida Rio Branco. No céu, já escuro pelas nuvens, relâmpagos e trovões se faziam sentir, e a cada estrondo a massa respondia aos gritos. Era a animação dos manifestantes combinada com o esgotamento causado pelo calor, e que se sentia na felicidade das pessoas quando a chuva caiu. E que chuva!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Educadores do Rio vão as ruas no dia do professor

Ato reuniu dezenas de milhares nas ruas do Rio
(Foto: Rodrigo Noel)
por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

Em greve há mais de 50 dias, trabalhadores dão show de democracia e organização. Em contrapartida, tropa de choque da polícia militar aterroriza as ruas do Rio e prende mais de 200 manifestantes

O dia 15/10/2013 foi mais um dia para entrar na história da capital fluminense. Ontem os profissionais de educação (Rede Estadual, Rede Municipal do Rio e Niterói, além dos trabalhadores da FAETEC), em greve há mais de 50 dias, organizaram uma grandiosa manifestação que contou com cerca de 100 mil presentes, segundo o SEPE/RJ.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Somos todos professores! Contra a ditadura de Paes e Cabral!

por Teones França
historiador e professor da rede estadual do RJ

O PMDB surgiu no início da década de 1980 como extensão do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sigla esta que agregava os que se opunham ao regime militar pela via legal. Hoje é uma legenda que expressa muito bem o caráter clientelista da maioria dos partidos no Brasil que se mantêm na base do toma-á-dá-cá. Em nível nacional abriga nomes como José Sarney, Renan Calheiros e Michel Temer. No Rio de Janeiro é a sigla dos governantes Eduardo Paes e Sergio Cabral e contam em seus governos com o apoio do PT, partido da presidente, numa relação tão simbiótica que já se especula que o governador ganhará um ministério em Brasília no futuro próximo.

Uma das grandes glórias que o PMDB reivindica para si é a de ter sido um dos principais articuladores na feitura da atual Constituição brasileira, promulgada em 1988 e personificada na figura daquele que até hoje é a maior expressão desse partido: Ulysses Guimarães. Tal Carta está completando 25 anos, o que para muitos intelectuais é a constatação do amadurecimento da democracia em nosso país, pois nela constariam avanços democráticos importantes, como o direito de greve.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ato contra violência do Estado nesta quarta-feira (2/10) na UERJ


 Por SEPE-RJ

   Nesta quarta-feira (dia 2), a partir das 17h, será realizado na UERJ (Maracanã) um ato contra a violência e a repressão que tem caracterizado o comportamento das forças de segurança do governo Cabral em todas as manifestações que questionam a postura intransigente e as políticas públicas dos governos estadual e municipal. Desde sua primeira gestão, o governador tem pautado a sua política pública de segurança na repressão ao movimento civil e na violência da sua polícia contra a população menos favorecida. O prefeito Eduardo Paes pauta a sua atuação pela mesma cartilha, apoiando as ações empreendidas pelo governo estadual na área de segurança.

   O Sepe convoca todos os profissionais das redes estadual e municipal, que têm sofrido uma brutal repressão das forças de segurança estaduais em diversas manifestações, como as ocorridas na desocupação da Câmara de Vereadores, no último sábado, e na votação do plano de cargos e salários da categoria nesta segunda-feira (dia 1).

01/10/2013 - Todos os caminhos levam a Cinelândia

A partir das 12 horas, ato na Cinelândia em apoio a educação do Rio e contra a violência policial de Cabral e Paes

30/09/13 - Milhares de manifestantes ocupam a praça 
da Cinelândia (Foto: Dirley Santos)
por Juzerley Santos, do Rio de Janeiro

Mais de duzentos soldados, mais de 30 viaturas, caminhões entupidos de soldados armados até os dentes, grades por todo o lado, ruas interditadas por barreiras, estação do metrô fechada. Para quem está pensando que este é um cenário de alguma ditadura latino-americana, doce ilusão. Isto está ocorrendo desde a madrugada desta terça-feira na Cinelândia, em plena capital carioca.

 O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, com aval de seus parlamentares e partidos aliados, provou que tem reais pretensões autoritárias. Sua Polícia Militar, após uma noite de repressão violenta contra manifestantes, que resultou em vários detidos e dezenas de feridos, sitiou a principal praça da cidade.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cerca de 10 mil profissionais de educação do Rio permanecem na Cinelândia

Concentração dos educadores em greve na Cinelândia.
(Foto: Dirley Santos)
por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

Os educadores estão desde a manhã de hoje (30/9) pressionando os vereadores e a presidência da casa legislativa da capital fluminense para que retirem o 'caráter de urgência' do projeto de plano de carreira da categoria. Para o Sepe-RJ (Sindicato Estadual de Profissionais de Educação), a proposta não contempla 93% da categoria e institucionaliza ainda mais penalidades para os trabalhadores da educação.

No último sábado a Polícia Militar desocupou o plenário da câmara, onde se encontravam cerca de 200 educadores, além de dezenas que permaneciam acampados do lado de fora da Câmara Municipal. Diversas denúncias de abuso de autoridade e uso excessivo de força foram feitas.

O líder do governo na Câmara Municipal marcou uma audiência na com o Sepe na manhã de hoje, mas a polícia impediu a entrada dos representantes da categoria durante toda a manhã e ainda cercou os educadores que permaneciam acampados na calçada da câmara. A polícia militar ao agrediu diversos manifestantes presentes e jogou de maneira indiscriminada spray de pimenta entre os presentes a manifestação que seguia pacífica. Depois de muita negociação e pressão da categoria, a direção do sindicato foi autorizada a entrar no prédio da Câmara.

Em breve postaremos mais informações.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Protesto pelo Fora Cabral termina em ocupação da câmara de vereadores do Rio

Foto: ED
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

Após tentativa frustrada de ocupação da Alerj, os ativistas seguiram em marcha pelas ruas do Centro até a Cinelândia

   O Rio de Janeiro viveu mais um dia de protestos contra o governador Sérgio Cabral nesta quinta-feira. Organizado pelo Fórum de Lutas Contra o Aumento da Passagem, o protesto iniciou com uma caminhada pela Avenida Rio Branco saindo da Candelária. Entre outras reivindicações, os manifestantes exigiam o fim da polícia militar, a revogação da privatização do Maracanã e o passe-livre.

Foto: Rodrigo Barrenechea
   Enquanto o ato principal seguia pela Avenida Rio Branco, dezenas de ativistas tentaram ocupar as galerias do plenário da Assembleia Legislativa do RJ (ALERJ). Passados poucos minutos, a presidência da casa ordenou que os seguranças da ALERJ botassem os manifestantes pra fora. A ordem foi atendida e a truculência foi a regra: sobraram gás de pimenta e agressões físicas aos manifestantes, até mesmo para alguns deputados presentes que conversavam com os trabalhadores e estudantes que lá estavam. A professora Vera Nepomuceno, diretora do SEPE-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ), teve seus óculos propositalmente quebrados por um dos seguranças da ALERJ.


Foto: Rodrigo Noel
   Já do lado de fora do Palácio Tiradentes (sede da ALERJ), os cerca de mil ativistas logo se reorganizaram e seguiram em marcha pelas ruas do Centro em direção à Cinelândia, tradicional palco de manifestações populares. Centenas de policiais sem identificação acompanharam a caminhada pacífica. Diversos manifestantes permanecem neste momento na Praça Floriano Peixoto, exigindo o “Fora Cabral”, transporte 100% público, o fim da dupla função para motoristas de ônibus, entre outras reivindicações. Uma pergunta permanece: cadê o Amarildo?

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Atentado da Rua Tonelero, tiro no pé e Sérgio Cabral

Arte do chargista Latuff para o Brasil 247 -
Comissão Especial de Investigação de Atos
de Vandalismo (CEIV),
o DOI-Codi de Sérgio Cabral.
Por Max Laureano, do Rio de Janeiro

   Na madrugada do dia 5 de agosto de 1954, ocorreu um crime na rua Tonelero, no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro, que viria a mudar a história do país.

   Dois homens armados  dispararam contra Carlos Lacerda, (o mais conhecido opositor do presidente Getúlio Vargas) e contra o seu segurança, que lutou com o agressor numa tentativa frustrada de desarmá-lo. Lacerda ficou ferido, atingido por um tiro que acertou de raspão o seu pé, já o Major não teve a mesma sorte e morreu a caminho do hospital.

   No dia seguinte, o jornalista publicou no jornal “Tribuna da Imprensa”, no seu editorial relatando a emboscada que sofrera e acusando o seu opositor, Getúlio Vargas. Com a tensão política gerada pelo atentado, e outras tantas, Getúlio acaba se suicidando. O que segundo o brasilianista Thomas Skidmore, levou ao caos político,  culminando com o Golpe de 64. Esse episódio ficou conhecido como o mais famoso tiro no pé da História recente brasileira.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Cerca de 3.000 pessoas participaram de ato ecumênico em memória das vítimas de massacre policial na Maré

Foto: M. Laureano

Por M. Laureano e R. Noel, do Rio de Janeiro


Milhares de manifestantes, entre moradores e solidários às famílias, participaram na tarde de hoje de protesto contra o assassinato de 13 moradores durante invasão policial, realizada na semana passada na comunidade da Maré.

 Sob o mote "Estado que mata, nunca mais", os manifestantes mostravam faixas e cartazes exigindo respeito a vida e o fim da violência policial. Muitos ativistas presentes exigiram o fim da pm, como Júlio Anselmo, estudante da UFRJ: "Vivemos uma verdadeira limpeza étnica. É um absurdo! Exigimos o fim da militarização da polícia já!", disse o estudante que também levantou as bandeiras "Fora Beltrame" e "Fora Cabral". 

A mãe de uma das vítimas desabafou: "Cansei de enterrar meus filhos, meus vizinhos, que foram mortos só por estarem nas ruas, quando a polícia do Cabral entra atirando na Maré. Essa dor eu não quero mais. Fora Cabral, fora Caveirão. Estado que mata, nunca mais!", disse emocionada.

Antes do encerramento, os manifestantes ocuparam duas pistas laterais da Avenida Brasil (principal meio de ligação com o Centro da Cidade) para demonstrar toda indignação para a população e autoridades com o cotidiano violento promovido pelo estado opressor. Advogados da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ também acompanharam o ato. Uma equipe das Organizações Globo foi amplamente vaiada pelos participantes do ato.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Atos no Rio marcam a final da Copa das "Manifestações"


Uma grande faixa foi estendida em um dos prédios da
Praça Afonso Pena, local de encerramento do 1º ato.
(Foto: Rodrigo Noel)
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

Duas grandiosas manifestações marcaram o dia de ontem (30), que ficará guardado na memória dos cariocas.

O primeiro ato iniciou a concentração às 10h, na Praça Saens Peña (Zona Norte do Rio). Convocado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíada (fórum que reúne partidos de esquerda, sindicatos, entidades estudantis, associações de moradores, centrais sindicais entre outros organismos do movimento social), o ato seguiu sem maiores problemas, mesmo com a forte presença do aparato policial em todo o entorno do Maracanã. A forte presença da polícia militar era o único elemento desestabilizador na região.

Durante todo o trajeto, diversos moradores seguiam até a porta dos prédios, das casas ou na frente das janelas para acenar, demonstrando apoio as reivindicações dos manifestantes presentes. O volume de recursos destinados para as obras da copa/olimpíadas  era um questionado por todos, assim como o unânime repúdio e exigência de anulação da privatização do Maracanã, feito pelo governo Sérgio Cabral para beneficiar o empresário Eike Batista. As remoções forçadas de moradores de comunidades tradicionais e bairros da periferia da cidade também foram duramente repudiadas pelos manifestantes, assim como a defesa da reabertura do Parque Aquático Julio Delamare e a manutenção da Escola Municipal Friedenreich (ameaçada de demolição pelo prefeito Eduardo Paes).

sábado, 29 de junho de 2013

Ativistas convocam ato nacional durante a final da Copa das Confederações, neste domingo

Arte de divulgação do ato disponível
na página do evento no facebook
Por Rodrigo Noel, de Niterói

   Amanhã (30) o Rio de Janeiro vai sacudir! Além da partida final entre Brasil e Espanha pela final da Copa das Confederações, ativistas do movimento social organizado estão convocando um grande ato para o mesmo dia. Para Julio Anselmo, estudante da UFRJ, está já pode ser chamada de "Copa das Manifestações".

   Sob o mote "Domingo Eu Vou Ao Maracanã", em alusão a famosa música de autoria de Neguinho da Beija Flor, os organizadores do ato vão cobrar dos governos mais compromisso com as necessidades do povo trabalhador e fim da submissão aos interesses da Fifa. Para Rafael Nunes, da CSP-Conlutas, os trabalhadores têm dado seu recado Brasil afora: "Os trabalhadores organizados em seus sindicatos, partidos e associações de moradores têm mostrado o custo social da organização desses megaeventos. Por isso, neste domingo vamos exigir o fim das remoções e despejos de comunidades, a imediata anulação da privatização/doação do Maracanã, entre outros pontos", disse.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Nota Pública contra a violência policial: após protestos polícia realiza chacina na Maré

   As favelas da Maré foram ocupadas por diferentes unidades da Polícia Militar do Estado do Rio (PMERJ), incluindo o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com seu equipamento de guerra - caveirão, helicóptero e fuzis - ontem, dia 24 de junho. Tal ocupação militar aconteceu após manifestação realizada em Bonsucesso pela redução do valor da passagem de ônibus, como as inúmeras que vêm sendo realizadas por todo o país desde o dia 6 de junho. As ações da polícia levaram à morte de um morador na noite de segunda-feira. Um sargento do Bope também morreu na operação e a violência policial se intensificou, com mais nove pessoas assassinadas, numa clara demonstração de revide por parte do Estado.

   Diversas manifestações estão ocorrendo em todo o país e intensamente na cidade do Rio de Janeiro. Nas última semanas a truculência policial se tornou regra e vivemos momentos de bairros sitiados e uma multidão massacrada na cidade. No ato do último dia 20, com cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas, o poder público mobilizou a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), contando com o Choque, Ações com Cães (BAC), Cavalaria, além da Força Nacional. A ação foi de intensa violência contra a população, causando um clima de terror em diversos bairros da cidade.

   Não admitimos que expressões legítimas da indignação popular sejam transformadas em argumento para incursões violentas e ocupações militares, seja sobre a massa que se manifesta pelas ruas da cidade, seja nos territórios de favelas e periferias!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Educadores do RJ aderem a convocação de greve geral para o dia 11 de julho

Trabalhadores presentes a assembleia fizeram um
minuto de silêncio pelas vítimas do massacre policial
durante invasão ao Complexo da Maré
Por Rodrigo Barrenechea, do Rio

   Nesta quinta, 27/06, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação reuniu, em assembleia conjunta das duas maiores redes, Estado e Município do RJ, mais de 500 profissionais de educação, lotando o auditório da Associação Cristã de Moços (ACM), na Lapa.

   As mobilizações pelas quais o país passa nestes últimos dias formaram a pauta central das discussões. Nesse sentido, a greve geral do dia 11 de julho* foi o eixo das discussões, incluindo críticas às centrais sindicais governistas, que teriam uma pauta de reivindicações rebaixada e havendo a necessidade de construção de uma pauta própria, mais crítica aos governos Paes, Cabral e Dilma. Contudo, as reivindicações específicas da categoria também foram discutidas.

   Na rede estadual, a luta gira em torno à questão do "uma matrícula e uma escola" e da revogação ao corte aos dias parados em paralisações anteriores; na rede municipal do Rio, a luta passa por críticas a aprovação automática disfarçada, ao Plano de Carreira, Cargos e Salários e por um repúdio generalizado à gestão de Claudia Costin.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Protesto na Maré contra a violência policial tomou a Avenida Brasil, no Rio

Por M Laureano*, do Rio de Janeiro

Na última segunda-feira dia 24 de junho, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, com seu Batalhão de Operações Especiais (o famoso Bope), tomou a Favela Nova Holanda, no complexo da Maré, em retaliação à morte de um policial militar em confronto naquele mesmo dia) houve uma manifestação na Av. Brasil, no meio disso, grupo aproveita e faz "arrastão". A Polícia interveio e povo todo fugiu para dentro da Nova Holanda, no Complexo da Maré. 

O Bope foi atrás deles e invadiu a favela a tiros, muitos tiros, além de bombas de efeito moral que caem dentro das casas. 

Cerca de 400 policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Choque (BPChq), Batalhão de Ações com Cães (BAC) e do 22º BPM (Maré), além de equipes da Divisão de Homicídios (DH) e da Força Nacional, estão na Favela Nova Holanda desde terça-feira.

Resultado:
 
- milhares de pessoas presas nos seus domicílios e lugares de trabalho;
- milhares sem luz nem telefone;
- milhares de crianças e adolescentes sem Escola nem Projetos sociais, fechados pela ocupação policial militar;
- um (01) adulto preso por flagrante de roubo de um celular durante o protesto e algumas crianças e adolescentes (sem passagem pelo SSE);
- oito (08) mortos a bala e dezenas de feridos, dos quais sete civis assassinados e um sargento do Bope (o único com nome na mídia);

terça-feira, 11 de junho de 2013

Ato contra aumento da passagem é duramente reprimido no Rio

Arte do chargista Nico
Por Rodrigo Noel*, do Rio de Janeiro

   No final da tarde de hoje teve início o ato contra o rejuste das tarifas de ônibus, promovido pelo prefeito Eduardo Paes. 
   O ato saiu da Cinelândia (tradicional palco de manifestações populares) em direção a Candelária, pela Rua 1ª de Março. Próximo ao Tribunal de Justiça, a Polícia Militar começou a reprimir o ato gratuitamente, pois o mesmo seguia de maneira pacífica pelas vias do Centro do Rio. Muitas bombas e gás de pimenta foram jogados nos manifestantes, pela truculenta polícia de Cabral. Um dos pm´s utilizou taser (arma de eletrochoque) em dois estudantes da UFRJ.

   Após essa repressão absurda e desmedida, os manifestantes seguiram em ato rumo a 5ª DP contra a prisão arbitrária de 30 estudantes. Os ativistas permanecem em frente a DP exigindo a liberação dos detidos sem o pagamento da fiança exigida pelo delegado.
*Colaboração de Leandro Santos

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Em um ano, triplica número de registros de famílias removidas no Rio; megaeventos esportivos servem de justificativa oficial

Trator derruba casas no Largo do
Tanque, uma das comunidades afetadas
(Foto: Liane Milton/ RioOnWatch)
   De acordo com o Dossiê Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro, lançado nesta quarta-feira (15) pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, cerca de três mil famílias já foram removidas de seus locais de moradia em função dos megaeventos esportivos.

   Há um ano, quando o grupo publicou a primeira versão do documento, estavam registradas mil famílias deslocadas. Orlando Júnior, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur-UFRJ), ressalta que outras 7 mil estão ameaçadas de remoção. No total, são cerca de 10 mil famílias impactadas.

   Ele avalia que a situação de violação ao direito à moradia pode ser ainda pior, explicando que esses dados são subestimados diante “de uma completa falta de informações oficiais”. Segundo Orlando, está em curso uma “ política de relocalização dos pobres na cidade” do Rio.

   Ravel Mendonça, presente ao lançamento do Dossiê, é jogador de vôlei de praia da seleção brasileira sub-19 e treina diariamente por pelo menos seis horas para participar das Olimpíadas de 2016. Porém, este objetivo se tornou mais difícil depois que sua família foi expulsa do Largo do Tanque, na Zona Oeste da cidade. A comunidade foi cortada pela construção da Transcarioca, via expressa que irá da Barra da Tijuca, polo empresarial do Rio, até os arredores do Aeroporto Galeão.

   O atleta conta que ele, seus pais e seus dois irmãos foram “pegos de surpresa” e que a indenização pela casa foi tão baixa que forçou a família a se mudar para “um local improvisado”, sem serviços públicos básicos. Desde então, o adolescente abandona o último horário de aula na escola para conseguir chegar aos treinos. Além disso, um dos irmãos de Ravel é portador de autismo e enfrenta problemas para prosseguir com seus tratamentos.

Arte do chargista Latuff
   O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio aponta que situações como essa refletem um processo de “elitização e mercantilização da cidade” que avança em um “sentido oposto ao da integração e promoção da dignidade humana”. O Dossiê traça um quadro de violações que envolvem questões relacionadas à moradia, segurança pública, meio ambiente, mobilidade, esporte, trabalho e acesso à informação. (pulsar)
Ouça e baixe os áudios no link de origem da matéria aqui

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Protestos contra a privatização do Maracanã atrasam licitação

Foto: Erick Dau
Por APN

   Ativistas vão manter a luta contra a entrega do Maracanã a empresas privadas e denunciam favorecimento a Eike Batista. Na Justiça tentam anular licitação.

   Concentrados desde as 7 horas, cerca de 500 manifestantes caminharam do Largo do Machado à Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, no Rio, nesta quinta-feira (11), em protesto contra a concessão do Maracanã por 35 anos, numa concorrência de cartas marcadas. Os envelopes só foram abertos após o término do ato que se estendeu até as 11h30.

   Participaram do protesto contra a privatização do Maracanã – patrimônio público nacional – ativistas do movimento de resistência “O Maraca é Nosso”, da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, sindicalistas, estudantes, punks, militantes do movimento sem teto vinculados à FIST, índios e apoiadores da Aldeia Maracanã, atletas contrários à destruição da pista de atletismo Célio de Barros, pais e professores da escola municipal Friedenreich, representantes de partidos políticos como o PSOL, PSTU e PCR, de centrais sindicais (CSP-Conlutas e Intersindical),  Sindipetro-RJ, Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), dentre outros setores da sociedade, contrários às privatizações e à elitização do Rio.

   Enquanto o ato público acontecia do lado de fora do Palácio Guanabara, do lado de dentro encenavam um arremedo de audiência pública. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse que  na manhã desta quinta-feira, seu partido entrou com junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, pedindo o julgamento do mérito da liminar cassada durante a madrugada. Freixo afirma que um dos consórcios concorrentes participou do estudo de viabilidade do projeto do Complexo do Maracanã  e também da elaboração do edital, o que é totalmente ilegal:

   “É função do parlamentar fiscalizar o executivo. Só estamos cumprindo com o nosso dever. O Estado investiu R$1,7 bilhão nas obras do Complexo do Maracanã e não vai recuperar sequer 10% disso” – denunciou Freixo. Ele também anunciou que entrará  na Justiça para anular a licitação, argumentando que a lei foi descumprida, ao não permitir a entrada do público na sua instalação.

Armação ilimitada

   Ontem, durante o dia, a expectativa era de que não houvesse leilão. O Ministério Público conseguiu uma liminar, suspendendo a licitação do Complexo Maracanã, por evidente favorecimento a um dos concorrentes, que inclui o empresário Eike Batista, através da empresa IMX Venues, Odebrecht Participações e Investimentos, AEG Administração de Estádios do Brasil: as três reunidas no Consórcio Maracanã S.A. Eike Batista teria informações privilegiadas. Mas a liminar foi derrubada durante a madrugada.

   Já na quinta-feira, data marcada para a licitação denunciada como de “cartas marcadas”, o governador esperou que os protestos em frente ao Palácio Guanabara terminassem para autorizar a abertura dos envelopes. O segundo e último envelope aberto foi do consórcio "Complexo Esportivo e Cultural do Rio de Janeiro", com as empresas OAS SA, Amsterdam NV (de origem holandesa) e Lagardère Unlimited (da França). A empresa da Holanda é responsável pala Amsterdam Arena, do Ajax, enquanto a francesa atua na área de marketing esportivo internacional.

   A data em que o vencedor será anunciado ainda não foi marcada, mas no bolo das apostas o consórcio do Eike Batista sai na frente. O segundo concorrente não teria apresentado todos os documentos necessários. A Comissão Especial de Licitação instituída para cuidar do processo é formada por Luiz Roberto Silveira Leite (presidente) e Angela Leite (primeira-secretária), ambos da Casa Civil, e Sandra Vigné Lo Fiego, representante da unidade de PPP (parceria público-privada) da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).

   O carro de som do Sindipetro-RJ permaneceu em frente ao Palácio Guanabara durante todo o ato, coordenado pelos diretores Emanuel Cancella e Eduardo Henrique. No encerramento, foi seguido por uma viatura da PM.  Na esquina das ruas Marques de Olinda com Muniz Barreto, em Botafogo, o carro foi detido com os dois diretores, além da jornalista Fátima Lacerda, do assessor Ronaldo Moreno e do motorista Rui. Permaneceu  cerca de uma hora a espera do reboque, mas acabou liberado.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ato contra as comemorações do golpe de 64 reúne cerca de 200 pessoas no Rio

Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro*

   Durante a tarde de hoje se realizou um ato unificado da esquerda carioca contra as comemorações do golpe civil-militar de 64. O local foi emblemático: na Praça da Cinelândia (tradicional palco de manifestações populares) e em frente a sede do Clube Militar.

   No decorrer do ato, ativistas de diversas organizações políticas e entidades populares se manifestaram e fizeram intervenções. Diversas fotos foram colocadas na calçada do Cine Odeon em memória daqueles que tombaram na luta contra a ditadura. Também estiveram presentes índios que removidos da Aldeia Maracanã.

   Julio Anselmo, estudante da UFRJ e integrante da ANEL, lembrou que diversos países na América Latina já condenaram agressores e colaboradores dos regimes ditatoriais-militares. Julio também cobrou um posicionamento firme do governo federal: "O governo Dilma cedeu desde a composição da Comissão da Verdade. Se hoje alguns militares comemoram tranquilos o golpe de 64 é por conta das mãos trêmulas do governo, que não pune os responsáveis pelo golpe e os assassinos de militantes populares. Hoje o governo presidido por uma ex-torturada se alia a empresários que financiaram a ditadura. Esses mesmos empresários que querem retirar direitos dos trabalhadores com o Acordo Coletivo Especial, por exemplo", frisou.

Confira aqui e aqui algumas imagens do ato.
 
*Com alterações. Original aqui

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Jovens são executados por PMs da UPP no Complexo do Alemão

Arte do chargista Latuff sobre a repressão
nas comunidades cariocas
Por Patrick Granja, em A Nova Democracia

   No dia 9 de dezembro, nossa reportagem foi ao Complexo do Alemão, onde dois jovens teriam sido assassinados por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Segundo testemunhas, depois de baleados, os jovens Wallace de Souza, de 21 anos, e Joseph Alexandrino, de 19 anos, foram executados pelos PMs.

   A reportagem de AND foi ao local acompanhada da ouvidora de direitos humanos Márcia Honorato. Segundo ela, moradores denunciam que um dos policiais, o sargento Alexandre Antônio Barbosa, teria apelado para que os jovens fossem socorridos. Mas mesmo assim, outro PM, identificado apenas como Da Silva, teria intimidado o sargento e executado os dois rapazes. Horas depois, o PM Alexandre foi executado. De acordo com testemunhas, o carro preto de onde partiram os disparos que atingiram o policial é o mesmo visto por moradores recolhendo os corpos de Wallace e Joseph no Complexo do Alemão.

   Momentos depois, um fato curioso confirmou a tese de Márcia e as denúncias da população do Complexo do Alemão. Enquanto entrevistávamos a ouvidora, uma criança entregou a ela uma carta de um morador que preferiu não se identificar. O bilhete confirmava o atrito entre os PMs Da Silva e Alexandre na cena do crime.

   Nossa reportagem também conversou com a mãe de Wallace. Temendo represálias da PM, ela preferiu não mostrar o rosto. Sob efeito de remédios psiquiátricos, ela contou como ficou sabendo da morte do filho.

LINK: http://youtu.be/UTrd_zvZxu8

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

CSA é multada pela terceira vez por poluir o ar no Rio de Janeiro

Por Agência Pulsar

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) foi autuada pela terceira vez pelo crime ambiental chamado nuvem de prata, que polui o ar. Comunidades do bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro foram afetadas por um vazamento de resíduos.

A transnacional foi multada em 10 milhões e 500 mil reais na última segunda-feira (29) por mais uma ocorrência de “chuva de prata”, que provoca a contaminação do ar por liberação de material oriundo da produção de ferro-gusa. As informações são do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

A siderúrgica também terá de investir 4 milhões e 500 mil reais em obras que impeçam o alagamento da área rural de São Fernando e plantar na região 15 mil árvores para fins de arborização urbana. As medidas foram anunciadas na semana passada pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, e pela presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos.

Essas ações punitivas contra a empresa foram definidas após vistoria realizada por técnicos do Inea nas instalações da CSA na última quarta-feira (31), a partir de denúncias de moradores de Santa Cruz. Minc disse que, caso a poluição permaneça, a CSA poderá até vir a ser embargada.

Minc lembrou que, em agosto de 2010, o Inea havia multado a CSA em 1 milhão e 800 mil reais pela “chuva de prata” que afetou moradores de Santa Cruz. Em janeiro de 2011, a companhia voltou a ser multada em 2 milhões e 800 mil reais pela repetição do crime ambiental, no final de dezembro de 2010.

Na época, por determinação da Secretária do Estado do Ambiente (SEA) e do Inea, a CSA também teve de investir 14 milhões de reais na região, como compensação indenizatória aos moradores atingidos, em obras como a construção de uma clínica de saúde, de controle de inundações e no ressarcimento a pescadores.