por Max Laureano, especial para a ANotA
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| Charge de Clara Paiva |
O ex-Coronel do SNI, Paulo Malhães, que admitiu participar de tortura para a Comissão da Verdade, foi encontrado morto, por asfixia, no Rio de Janeiro. Ele teve sua casa invadida, e sua mulher e caseiro foram feitos reféns.
Para a jornalista Ana Helena Ribeiro Tavares, a morte de Malhães não foi uma simples "queima de arquivo", como a do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury.
Segundo relatos no livro Memórias de uma Guerra Suja, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social do Espírito Santo (Dops), Cláudio Antônio Guerra, assume que, na condição de um ex-agente da repressão aos opositores da ditadura militar, o também delegado Sérgio Paranhos Fleury teria sido assassinado por ordem dos próprios militares.
Segundo Claudio Guerra, "o delegado Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar e não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria". Ainda, segundo o mesmo, "Fleury teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar, fato que justificaria a estranha ausência da necropsia do cadáver".
Fleury foi um arquivo queimado sem ser aberto. Paulo Malhães, no entanto, já tinha jogado muita coisa no ventilador. Foi morto por vingança, pela caixa preta que abriu e como tentativa de silenciar outros. Nisso, a morte por asfixia é bem simbólica: talvez Malhães tivesse mais a falar, nomes a dar, ainda que tenha falado muito antes de morrer.
Seu assassinato é, ao que parece, vingança dos que ainda se escondem e tentativa de intimidar outros agentes da repressão. Pelo visto, algumas pessoas têm tanto medo que estão matando seus pares, comensais da morte nos porões da ditadura de hoje.