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quinta-feira, 5 de março de 2015

As origens do 8 de março que você desconhece

Por Mariana Rio, socióloga e ativista do Movimento Mulheres em Luta (MML/RJ)

Todo 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as loja pelo mundo são  inundadas com anúncios de promoções e declarações apaixonas de amor às mulheres. A ONU e vários presidentes divulgam mensagens em defesa das mulheres e pelo direito á igualdade de gênero. Historiadores são convidados a fazerem um resgate histórico na televisão lembrando as mulheres queimadas na fábrica têxtil Cotton, de Nova Yorque (EUA), em 1857.

Mas o que os historiadores contratados pelas TVs e as lojas não contam é que o 8 de março vai além do caráter que vem tomando essa data hoje. E que, na verdade, foi no dia 25 de março de 1911, que as operárias foram queimadas. Uma história bem diferente do que conhecemos. O 8 de março é uma data historicamente de luta e exemplo da força das mulher trabalhadora.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Índice sobre Homicídios na Adolescência revela genocídio da juventude no Brasil

Até 2019 quarenta e dois mil jovens podem ser assassinados no Brasil, diz índice sobre Homicídios na Adolescência. 
Para o governo federal e Unicef o índice foi o mais alto dos últimos 8 anos.

por Mariana Rio, socióloga.

Segundo as conclusões do Índice de Homicídios na Adolescência divulgado no ultimo dia 28 de janeiro, quarenta e dois mil adolescentes brasileiros, entre 12 e 18 anos, correm o risco de serem assassinados de forma violenta antes de completar 19 anos. Jovens negros e moradores do nordeste serão as principais vítimas.

O índice faz parte do Programa de Redução da Violência Letal (PRVL), criado em 2007 através de uma ação conjunta entre governo federal, UNICEF em parceria com instituições da sociedade civil. Segundo o levantamento, três em cada mil adolescentes que tinham 12 anos em 2012 correm o risco de serem assassinados antes de completar 19 anos.

O Nordeste é a região com a maior taxa: quase seis adolescentes em um grupo de 1.000 correm risco de morte violenta antes dos 19 anos. Dos cinco estados com maior índice, quatro estão no Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará e Paraíba. O grupo de maior vulnerabilidade é de jovens negros moradores de periferias e favelas, o estudo revela que a possibilidade de jovens negros serem assassinados é 2.96 vezes superior do que os brancos.

terça-feira, 1 de abril de 2014

50 anos do golpe militar: 50 anos de Impunidade

por Mariana Rio, da ANEL-RJ, 
especial para a ANotA

Hoje é dia 1º de abril, dia da mentira. Também hoje, há 50 anos, foi instalado o regime civil-militar brasileiro que se estendeu de 1964 á 1985 e perseguiu, prendeu, torturou e assassinou milhares de jovens e trabalhadores.

Nos últimos dias, diferentes jornais e emissoras de TV vem fazendo especiais sobre o golpe. Várias atividades estão acontecendo para marcar a data e atos de rua irão acontecer em diferentes cidades.

Até hoje, muito do que ocorreu no período de 1964 a 1985 ainda permanece obscuro. Não sabemos de fato nossa historia, há décadas a sociedade brasileira vem travando uma batalha por sua memória e parte considerável dos arquivos da ditadura permanece fechada. A Comissão da Verdade, que poderia cumprir um papel histórico de reparar e regatar a memória de milhares de brasileiros que foram atingidos pelo regime militar, mostrou-se insuficiente, não tem verba, não tem apoio do governo para desenvolver o trabalho e não possui poder de julgar.

O último balanço realizado pela Comissão da Verdade aponta pelo menos 50 mil atingidos direta ou indiretamente em seus direitos e cerca de 400 mortos, isso sem contar os milhares de indígenas que foram violados e mortos e as mortes provocadas pelo modelo de desenvolvimento econômico imposto, que proporcionou a população mais pobre um péssimo sistema de saúde e de saneamento públicos e que mantiveram altíssimas taxas de mortalidade infantil durante todo o período. Com um forte apoio das potências imperialistas, especialmente dos EUA, o golpe brasileiro aprofundou a desigualdade e a pobreza no país. A desnacionalização da economia brasileira aumentou a hegemonia norte-americana no território brasileiro.

São 50 anos de impunidades são 50 anos de criminalização 

dos movimentos sociais, dos pobres, das organizações de esquerda

Diferente do que aconteceu em outros países da América Latina, o Estado brasileiro fez a opção de esconder seus ossos no armário. O Brasil promulga uma anistia ampla e irrestrita, e nenhum torturador do regime foi punido, nenhuma empresa ou empresário, emissora de TV ou jornal, que colaborou com os militares, ninguém foi punido por seus crimes. Hoje, parte da estrutura de repressão montada pelos militares para perseguir, prender e torturar seus opositores segue viva. A mesma polícia militar que comete atrocidades há 50 anos, tortura e mata trabalhadores e jovens diariamente nas favelas e periferias das grandes cidades.