por Almir Cezar, da sucursal Brasília
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| Banner convocando o 1º evento 'Isoporzinho' em Niterói. Contra alta dos preços surge mais um protesto alternativo. |
Falaremos aqui sobre o verão. Não do calor e da diversão das férias no campo ou na praia com a família e amigos, mas os preços. O quão alto se tornam nesse período produtos banais, como bebidas e alimentos, a chamada “inflação das férias”, ou de verão - que é acima da média, até para quem não viaja. E nesse ano esta foi ainda pior, idas aos bares e boates vêm ficando proibitivos. Porém, ao contrário do passado, que o consumidor só reclamava ou apenas deixava de comprar, o que por si só possivelmente não resolveria o problema, agora por várias cidades as pessoas vêm se juntando para realizar um tipo novo de protesto, o 'isoporzinho', em que cada um leva o que vai tomar "fugindo" ou se manifestando contra o abusivo dos preços.
Com o começo do ano, além do pagamento dos impostos anuais, como IPTU, IPVA, e itens tradicionais dessa época, como matrículas e material escolar, etc, todos reajustados, os trabalhadores precisam se deparar com os custos das férias, que estão acima da inflação. Essa alta não é impressão dos consumidores no verão. Itens tradicionais do verão, como guloseimas, lazer e viagens, subiram mais que a inflação oficial, o IPCA, entre 2012 e 2013. Um outro índice de inflação, o INPC, que mede preços para famílias com renda até cinco salários mínimo, essa semana foi divulgado de que ficou em 0,63% em janeiro deste ano. A inflação dos produtos alimentícios ficou em 0,86%, enquanto os não alimentícios tiveram alta de preços de 0,53%. E com a proximidade do carnaval a situação provavelmente ficará ainda complicada para os veranistas e foliões.
A causa da inflação dos itens de férias e do verão pode ser medida no preço do coco, um item típico do período, que "inflaciona" nessa época. Há poucos meses nos pontos mais baratos estava a R$3,00 agora não menos de R$3,50 ou mesmo a R$4,00. O problema não é no campo - para especialistas, o coco fica quase 15 vezes mais caro até chegar à praia. Os produtores, curiosamente não vêem boa parte desse lucro da cadeia e estão sofrendo com o preço baixo. Quem acaba ficando com a maior parte do lucro são as outras partes dessa cadeia, tanto o intermediário quanto o comerciante. Os intermediários, que levam o coco da fazenda até os centros de distribuição, ganham de três a quatro vezes em cima do produtor.

