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sábado, 29 de junho de 2013

Ativistas convocam ato nacional durante a final da Copa das Confederações, neste domingo

Arte de divulgação do ato disponível
na página do evento no facebook
Por Rodrigo Noel, de Niterói

   Amanhã (30) o Rio de Janeiro vai sacudir! Além da partida final entre Brasil e Espanha pela final da Copa das Confederações, ativistas do movimento social organizado estão convocando um grande ato para o mesmo dia. Para Julio Anselmo, estudante da UFRJ, está já pode ser chamada de "Copa das Manifestações".

   Sob o mote "Domingo Eu Vou Ao Maracanã", em alusão a famosa música de autoria de Neguinho da Beija Flor, os organizadores do ato vão cobrar dos governos mais compromisso com as necessidades do povo trabalhador e fim da submissão aos interesses da Fifa. Para Rafael Nunes, da CSP-Conlutas, os trabalhadores têm dado seu recado Brasil afora: "Os trabalhadores organizados em seus sindicatos, partidos e associações de moradores têm mostrado o custo social da organização desses megaeventos. Por isso, neste domingo vamos exigir o fim das remoções e despejos de comunidades, a imediata anulação da privatização/doação do Maracanã, entre outros pontos", disse.

sábado, 1 de junho de 2013

O futebol ainda é esporte popular?

Partida foi realizada no dia 25/05, em Montevidéu.
Foto: Rodrigo Noel.
Por Rodrigo Noel, do Rio de Janeiro

   Há alguns dias tenho escutado a música "Vem pra rua" em algumas rádios aqui do Rio. A música, cantada por Falcão, é tema de uma ação de marketing de uma montadora de automóveis. Essa música me fez pensar sobre um assunto  que vem martelando e muito minha mente: a elitização do futebol.

   Não sou um especialista nesse esporte, mas acompanho com entusiasmo as notícias do meu time do coração. Desde o início do Campeonato Carioca eu acompanhava o preço dos ingressos, seja em clássicos ou em partidas do meu time contra os chamados "times pequenos" (ou "de menor expressão"). Os preços são um fator fundamental para uma maior presença do público ou não, sem excluir outros fatores como transporte, horário de realização da partida e localização do estádio. Mas, o que mais me chamou atenção foi a notícia relacionada ao jogo entre Flamengo e Santos (realizada no último final de semana, em Brasília, como evento-teste do estádio Mané Garrincha): os ingressos mais baratos custaram R$160!

   No vizinho Uruguai, uma partida realizada no mesmo final de semana do Torneio Clausura, no histórico Estádio Centenário, me chamou atenção. Foi entre o Progreso e Nacional. O Progreso lutava contra o rebaixamento, e o Nacional seguia com chance (ainda que remota) de conquistar uma vaga para a Copa Libertadores da América. O público presente não foi dos maiores, afinal a situação dos dois times não animava muito, mas o preço do ingresso era positivamente espantoso: 100 pesos (algo equivalente a R$10). Isso em uma partida da principal liga do país e em um estádio importante como o Centenário. Crianças, adultos, senhoras e senhores... pessoas de toda idade ocupavam as arquibancadas.

   Ora, se o ingresso aqui no Brasil custa o equivalente a 23,5% do salário mínimo, não precisa ser um gênio da pelota pra constatar que os jogos de futebol não são mais feitos para a presença do povo. Para o esporte que virou negócio lucrativo, é mais importante as cotas de patrocínio das tv´s do que a presença do público, seja o fanático pelo seu time ou por quem gosta de ver a bola rolar.

Expressão disso é o caso do Maracanã...

   Essa política de afastamento do povo dos estádios não vem de hoje. As seguidas reformas que ocorreram no Maracanã diminuíram o a capacidade de público do estádio e ainda acabaram com um setor popular, a geral. A geral era o local que contava com o ingresso mais barato de todo o estádio. Além do público que ia apenas torcer pelo seu time querido, tinham os personagens quase folclóricos, os chamados “geraldinos”.  Com a recente privatização do Maracanã, a tendência é essa situação de elitização dos jogos e encarecimento dos ingressos piorar.

   No refrão da música que citei ali em cima, Falcão diz: "Vem pra rua, porque a rua é a maior arquibancada do Brasil". Talvez Falcão esteja certo. O único local que ainda se pode torcer democraticamente é a rua. Se "a praça é do povo", como disse Castro Alves, é bom que a ocupemos antes que a privatizem também.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Em um ano, triplica número de registros de famílias removidas no Rio; megaeventos esportivos servem de justificativa oficial

Trator derruba casas no Largo do
Tanque, uma das comunidades afetadas
(Foto: Liane Milton/ RioOnWatch)
   De acordo com o Dossiê Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro, lançado nesta quarta-feira (15) pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, cerca de três mil famílias já foram removidas de seus locais de moradia em função dos megaeventos esportivos.

   Há um ano, quando o grupo publicou a primeira versão do documento, estavam registradas mil famílias deslocadas. Orlando Júnior, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur-UFRJ), ressalta que outras 7 mil estão ameaçadas de remoção. No total, são cerca de 10 mil famílias impactadas.

   Ele avalia que a situação de violação ao direito à moradia pode ser ainda pior, explicando que esses dados são subestimados diante “de uma completa falta de informações oficiais”. Segundo Orlando, está em curso uma “ política de relocalização dos pobres na cidade” do Rio.

   Ravel Mendonça, presente ao lançamento do Dossiê, é jogador de vôlei de praia da seleção brasileira sub-19 e treina diariamente por pelo menos seis horas para participar das Olimpíadas de 2016. Porém, este objetivo se tornou mais difícil depois que sua família foi expulsa do Largo do Tanque, na Zona Oeste da cidade. A comunidade foi cortada pela construção da Transcarioca, via expressa que irá da Barra da Tijuca, polo empresarial do Rio, até os arredores do Aeroporto Galeão.

   O atleta conta que ele, seus pais e seus dois irmãos foram “pegos de surpresa” e que a indenização pela casa foi tão baixa que forçou a família a se mudar para “um local improvisado”, sem serviços públicos básicos. Desde então, o adolescente abandona o último horário de aula na escola para conseguir chegar aos treinos. Além disso, um dos irmãos de Ravel é portador de autismo e enfrenta problemas para prosseguir com seus tratamentos.

Arte do chargista Latuff
   O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio aponta que situações como essa refletem um processo de “elitização e mercantilização da cidade” que avança em um “sentido oposto ao da integração e promoção da dignidade humana”. O Dossiê traça um quadro de violações que envolvem questões relacionadas à moradia, segurança pública, meio ambiente, mobilidade, esporte, trabalho e acesso à informação. (pulsar)
Ouça e baixe os áudios no link de origem da matéria aqui

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Protestos contra a privatização do Maracanã atrasam licitação

Foto: Erick Dau
Por APN

   Ativistas vão manter a luta contra a entrega do Maracanã a empresas privadas e denunciam favorecimento a Eike Batista. Na Justiça tentam anular licitação.

   Concentrados desde as 7 horas, cerca de 500 manifestantes caminharam do Largo do Machado à Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, no Rio, nesta quinta-feira (11), em protesto contra a concessão do Maracanã por 35 anos, numa concorrência de cartas marcadas. Os envelopes só foram abertos após o término do ato que se estendeu até as 11h30.

   Participaram do protesto contra a privatização do Maracanã – patrimônio público nacional – ativistas do movimento de resistência “O Maraca é Nosso”, da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso, sindicalistas, estudantes, punks, militantes do movimento sem teto vinculados à FIST, índios e apoiadores da Aldeia Maracanã, atletas contrários à destruição da pista de atletismo Célio de Barros, pais e professores da escola municipal Friedenreich, representantes de partidos políticos como o PSOL, PSTU e PCR, de centrais sindicais (CSP-Conlutas e Intersindical),  Sindipetro-RJ, Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), dentre outros setores da sociedade, contrários às privatizações e à elitização do Rio.

   Enquanto o ato público acontecia do lado de fora do Palácio Guanabara, do lado de dentro encenavam um arremedo de audiência pública. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse que  na manhã desta quinta-feira, seu partido entrou com junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, pedindo o julgamento do mérito da liminar cassada durante a madrugada. Freixo afirma que um dos consórcios concorrentes participou do estudo de viabilidade do projeto do Complexo do Maracanã  e também da elaboração do edital, o que é totalmente ilegal:

   “É função do parlamentar fiscalizar o executivo. Só estamos cumprindo com o nosso dever. O Estado investiu R$1,7 bilhão nas obras do Complexo do Maracanã e não vai recuperar sequer 10% disso” – denunciou Freixo. Ele também anunciou que entrará  na Justiça para anular a licitação, argumentando que a lei foi descumprida, ao não permitir a entrada do público na sua instalação.

Armação ilimitada

   Ontem, durante o dia, a expectativa era de que não houvesse leilão. O Ministério Público conseguiu uma liminar, suspendendo a licitação do Complexo Maracanã, por evidente favorecimento a um dos concorrentes, que inclui o empresário Eike Batista, através da empresa IMX Venues, Odebrecht Participações e Investimentos, AEG Administração de Estádios do Brasil: as três reunidas no Consórcio Maracanã S.A. Eike Batista teria informações privilegiadas. Mas a liminar foi derrubada durante a madrugada.

   Já na quinta-feira, data marcada para a licitação denunciada como de “cartas marcadas”, o governador esperou que os protestos em frente ao Palácio Guanabara terminassem para autorizar a abertura dos envelopes. O segundo e último envelope aberto foi do consórcio "Complexo Esportivo e Cultural do Rio de Janeiro", com as empresas OAS SA, Amsterdam NV (de origem holandesa) e Lagardère Unlimited (da França). A empresa da Holanda é responsável pala Amsterdam Arena, do Ajax, enquanto a francesa atua na área de marketing esportivo internacional.

   A data em que o vencedor será anunciado ainda não foi marcada, mas no bolo das apostas o consórcio do Eike Batista sai na frente. O segundo concorrente não teria apresentado todos os documentos necessários. A Comissão Especial de Licitação instituída para cuidar do processo é formada por Luiz Roberto Silveira Leite (presidente) e Angela Leite (primeira-secretária), ambos da Casa Civil, e Sandra Vigné Lo Fiego, representante da unidade de PPP (parceria público-privada) da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).

   O carro de som do Sindipetro-RJ permaneceu em frente ao Palácio Guanabara durante todo o ato, coordenado pelos diretores Emanuel Cancella e Eduardo Henrique. No encerramento, foi seguido por uma viatura da PM.  Na esquina das ruas Marques de Olinda com Muniz Barreto, em Botafogo, o carro foi detido com os dois diretores, além da jornalista Fátima Lacerda, do assessor Ronaldo Moreno e do motorista Rui. Permaneceu  cerca de uma hora a espera do reboque, mas acabou liberado.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Frente Parlamentar do Futebol-negócio

Enfraquecida após queda de Ricardo Teixeira,
“Bancada da Bola” busca reeguer-se. Clubes ainda
sustentam farra dos cartolas.
Torcedores devem mobilizar-se
Por Irlan Simões, no blog Outras Palavras

   Com a queda de Ricardo Texeira, muito tem se especulado sobre os rumos da chamada “Bancada da Bola”, a Frente Parlamentar do futebol-negócio instaurada no coração do aparato estatal brasileiro. Por longos anos alimentados pelo grande chefe da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a cartolada do Congresso já vinha sinalizando perda de espaço no campo da política futebolística.

   Como já comentei aqui na coluna, a Bancada da Bola, até pouco tempo antes da renúncia de Teixeira, se tratava um “mero grupo de cartolas decadentes que sentiu enfim a queda de sua influência nos rumos do jogo”. Organizados em torno de poucas federações que fizeram frente à sucessão quase golpista de José Maria Marín, a Bancada sentiu seu espaço ocupado pela nova configuração do futebol-negócio no Brasil, agora dominado por grandes empresas que já não precisavam dos seus serviços.

   Ricardo Teixeira, durante um bom tempo, alimentou o bolso e o poder de determinados atores políticos, situados em diversos partidos da colorida composição política brasileira, em troca de favores e proteção. Num momento em que o futebol passava a gerar debates de alcance nacional, Teixeira necessitou de blindagem, principalmente a partir do ano de 1998.

   Foi naquele período que a CBF transformou-se em alvo de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), que buscavam investigar irregularidades nos contratos da Confederação. Ali, mais precisamente em 2001, a Bancada da Bola foi crucial em tornar o processo inválido, e durante os anos seguintes passou a desfrutar de grande prestígio ao lado do cartola.

Falência da democracia representativa

   É sempre interessante ressaltar o que significam as Frentes Parlamentares, essas estruturas suprapartidárias e fluidas do poder. Principalmente no Brasil, um país que possui nada menos que 29 partidos em atividade. Longe de representarem o espectro ideológico estampado nos seus nomes, os partidos brasileiros são hoje uma espécie de corretores de candidaturas. Sem programa político, são construídos com base em candidaturas oportunistas, de programas fantasmas e à mercê dos interesses políticos dos seus caciques.

   Mesmo um liberal honesto jamais afirmaria que existe democracia representativa séria no Brasil. As Frentes Parlamentares se consolidam exatamente a partir de um vácuo oriundo dessa despolitização dos partidos. Concentram então os parlamentares que constroem a sua carreira em torno de pautas específicas que abarcam os seus interesses.

   As mais famosas hoje são a Bancada Ruralista, defensora dos interesses do agronegócio, e a Bancada Evangélica, que não para de crescer. A Bancada da Bola compõe, no entanto, a mais curiosa delas.

Composta por um plantel partidário que inclui principalmente PMDB, PTB e PR, a Bancada jamais se pautou pelo “bem do esporte nacional”, como gostam de declarar seus integrantes. Os cartolas-parlamentares nasceram e se mantêm, principalmente, pelo financiamento direto da CBF, ou indireto, através dos parceiros comerciais da Confederação.

O Estado como balcão de negócios

sexta-feira, 23 de março de 2012

MPRJ requer suspensão de decreto que concedeu isenção total de ICMS a Barcas S/A

Por MP-RJ

Sem falar no bondinho, trem,
metrô, ônibus...
   O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou Ação Civil Pública (ACP), com pedido de liminar, para suspender os efeitos do decreto estadual que concedeu isenção total de ICMS a Barcas S/A - Transportes Marítimos. Na ação, subscrita pelo titular da 7ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital, Promotor de Justiça Rogério Pacheco Alves, também foi requerido o pagamento do ICMS devido pela concessionária sob pena de multa diária.

   O Ministério Público esclareceu que, a partir de representação do Deputado Federal Alessandro Molon, foi instaurado Inquérito Civil para apurar possível ilegalidade na redução em 100% da base de cálculo do ICMS da Barcas S/A, concedida pelo Decreto Estadual nº 42.897, de 24 de março de 2011. A isenção foi requerida pela concessionária à Secretaria de Estado de Transportes em 2010, em decorrência de Contrato de Concessão firmado em 1998. À época, a Barcas S/A alegou a necessidade de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do referido contrato e que a medida "favoreceria a modicidade da tarifa" e possibilitaria "o reinvestimento do excedente econômico disponível na melhoria do transporte aquaviário, em prol do interesse público".

   De acordo com a ação, a Procuradoria do Estado havia opinado pelo indeferimento da concessão do benefício por falta de fundamento legal. Todavia sugeriu que mesmo que fosse concedido o benefício deveriam ser observadas as regras previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal. Segundo o Promotor, em desacordo com o pronunciamento da Procuradoria, o Governo do Estado publicou, no dia 24 de março de 2011, o Decreto Estadual nº 42.897, atendendo às expectativas da Barcas S/A.

   Rogério Pacheco considerou o benefício concedido à concessionária renúncia de receita e franca violação à Lei de Responsabilidade Fiscal nos seguintes itens: falta de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício de início de sua vigência e nos dois seguintes, violação à Lei de Diretrizes Orçamentárias e falta de previsão de medida de compensação. Para o Promotor de Justiça, também houve violação ao contrato de concessão, pois o tributo cuja base de cálculo foi integralmente reduzida (ICMS) compõe a fórmula que dá origem ao valor da tarifa. Ele acrescentou que o contrato exige lei específica para concessão de benefícios tributários à concessionária, o que não foi atendido. E também lembrou que os milhares de passageiros que utilizam as barcas diariamente não foram beneficiados com nenhuma melhoria no serviço nem redução de tarifas.

   "Cabe acentuar que o benefício concedido pelo Estado contemplou um dos piores serviços prestados à população do Rio de Janeiro, um serviço marcado pela ineficiência e pela insegurança, não obstante o elevado custo da tarifa cobrada (R$ 4,50 atualmente). Em suma, não resta dúvida acerca da ilegalidade do benefício tributário concedido pelo Estado do Rio de Janeiro em favor da segunda demandada, o que deve ser corrigido prontamente pelo Poder Judiciário", afirmou o Promotor de Justiça.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Funcionários de estádio da Copa em Salvador estão em greve


Os trabalhadores da Arena Fonte Nova, que sediará a Copa em Salvador, entraram em greve nesta quarta-feira (1º) pela manhã. Eles reclamam que o Consórcio Arena Fonte Nova, responsável pela obra, não cumpriu com acordos feitos com os trabalhadores.
   Dentre os acordos estão, por exemplo, o descanso semanal remunerado e o recebimento de uma parcela da cesta básica.

   Os trabalhadores reclamam ainda de cortes no salário, o não pagamento de horas-extras, desvio de função e autoritarismo. Também fizeram uma manifestação na região do estádio.

   Ontem (1º), durante a tarde, o sindicato que representa os trabalhadores da obras, Sintepav-BA, se reuniu com o consórcio para tentar um acordo. Contudo, hoje (2) pela manhã os trabalhadores se reuniram em assembléia e decidiram manter a paralisação.

   A Arena Fonte Nova tem mais de 2 mil trabalhadores. Além de sede da Copa do Mundo 2014, poderá ser sede da Copa das Confederações, em 2013
.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Leilão dos aeroportos é marcado para 6 de fevereiro

Por APN
   O pretexto para a realização dos leilões, que teve na figura o ex-ministro Nélson Jobim um de seus grandes articuladores, é atrair investimentos para melhorar a estrutura dos aeroportos brasileiros. Dados da ENAC informam que, entre 2003 e 2007, enquanto o número de passageiros transportados no mundo ficou na média de 40%,  no Brasil o aumento foi de 118%.
 
   De acordo com o edital, obras de reforma e ampliação dos aeroportos deverão ser concluídas em 18 meses, preparando os aeroportos para a Copa do Mundo de 2014. Os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília estão entre os mais rentáveis do país. Detalhe: as obras serão financiadas pelo próprio governo brasileiro, através do BNDES.
 
   Os preços mínimos para a concessão dos aeroportos  ficaram abaixo do recomendado pelo Tribunal de Contas da União na semana passada. No caso de Guarulhos, o governo fixou em R$ 3,4 bilhões o preço mínimo, R$ 400 milhões a menos do defendido pelo TCU. Em Viracopos, o valor fixado foi de R$ 1,471 bilhão, enquanto o tribunal defendia o valor de R$ 1,7 bilhão. Em Brasília, o valor do edital é de preço mínimo de R$ 582 milhões. O TCU tinha recomendado R$ 761 milhões.
 
   O movimento de resistência contra a privatização dos aeroportos considera a concessão o caminho para a precarização do trabalho e uma  ameaça à soberania nacional. Para mais informações, assista à entrevista com trabalhadores de Viracopos na TV Petroleira (www.tvpetroleira.tv/)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Copa de 2014, Romário e Ronaldo: teremos uma tabelinha ou um duelo entre os artilheiros?

Por Leonardo Possidonio

   A preparação do país para receber a Copa de 2014 sofre a cada dia novos contornos. Seja pelas constantes greves nas reformas ou construção dos estádios, a manifestação de torcedores indignados com os rumos que a organização da Copa e o futebol brasileiro (CBF) tem tomado, a crítica sincera de uma fração da mídia brasileira e por vezes internacional ou pela atuação pertinente de Romário no Congresso Nacional.

   O governo Dilma/Lula tinha planos muito claros para a Copa de 2014 no Brasil, como forte aliado das empreiteiras e do empresariado de uma forma geral. Contudo, parece preocupado com algumas dificuldades para realizar o evento conforme programava. Dentre elas estava as “manobras” constantes protagonizadas por Ricardo Teixeira (presidente da CBF), que poderia trazer novos problemas para o governo.

   Em qualquer jogo quando um time está com problemas para vencer o craque é chamado a decidir a partida. Nesta situação é que se assemelha a entrada de Ronaldo no Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014.

   O que Ronaldo fará no COL? Irá garantir o interesse econômico das empreiteiras e do empresariado do turismo e “mega eventos”? Irá se omitir diante do investimento de dinheiro público nas obras em estádios da Copa? Irá manter a “democracia e transparência” vigente neste processo? Ou, se aliará a Romário na defesa do não investimento de dinheiro público nas obras em estádio da Copa em detrimento da saúde, educação, etc; de um processo transparente e verdadeiramente democrático; de ingressos populares; etc.

   Prever o futuro neste caso não é difícil, diante das movimentações de Ronaldo Nazário, seja pela sua passagem no Corinthians (seja enquanto jogador ou empresário) e pelo seu empreendimento econômico no futebol.

   Dificilmente veremos uma tabelinha neste caso. Muito menos um craque a decidir o jogo. E, sim, um carrasco a acabar com nossos sonhos e esperanças de um futebol popular e o respeito ao dinheiro público.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Remoção de comunidades no Rio: Anistia Internacional alerta para violações sistemáticas dos direitos humanos

Por Renajorp, em Fazendo Media

  Os organizadores das Olimpíadas devem exortar as autoridades brasileiras a pôr um fim às remoções forçadas de centenas de famílias no Rio de Janeiro em meio aos preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016, declararam na segunda-feira (14/11) grupos de moradores atingidos, ativistas locais, a Anistia Internacional e a WITNESS em uma carta conjunta ao Comitê Olímpico Internacional (COI).

   Segundo as organizações, famílias em dezenas de bairros de baixa renda na cidade já perderam – ou estão sob risco de perder – suas casas à medida que as autoridades constroem infraestrutura para o evento esportivo internacional.

   “Forçar famílias para fora de suas casas sem aviso adequado, sem consulta prévia com os atingidos e sem oferecer moradias alternativas adequadas ou recursos judiciais fere os valores que as Olimpíadas representam e viola as leis brasileiras e os compromissos internacionais do Brasil com os direitos humanos”, disseram as organizações.

   “Os organizadores das Olimpíadas deveriam usar sua influência para pôr um fim a esta prática imediatamente, antes que seja tarde demais. O COI não pode ser conivente com abusos de direitos humanos realizados em seu nome e deve condenar pública e inequivocamente todos os despejos forçados no Rio de Janeiro.”

   Favelas e assentamentos informais pela cidade já vêm sendo atingidos no decorrer dos últimos 12 meses e mais comunidades estão sob ameaça de remoções futuras previstas pelas autoridades.

   Grandes obras de infraestrutura, tais como a construção de três vias expressas de transporte (a Transoeste, a TransCarioca e a TransOlímpica), obras em torno do estádio do Maracanã e a modernização da área portuária já resultaram em graves violações. À medida que essas obras continuam, várias comunidades – incluindo Vila Autódromo e Arroio Pavuna – estão lutando contra um despejo iminente.

Defensoria Pública e organizações da sociedade civil desmentem versão oficial
   Embora as autoridades do Rio de Janeiro afirmem que não ocorreram remoções forçadas e que todas as famílias atingidas estão sendo adequadamente indenizadas antes de perder suas casas, pesquisas independentes realizadas por ONGs locais, pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro e por organizações internacionais, incluindo a Anistia Internacional e a WITNESS, provam o contrário.

   Nos casos mais graves, as autoridades chegaram em uma comunidade sem aviso prévio e começaram a derrubar casas e comércios.

  No dia 22 de outubro de 2010, retroescavadeiras chegaram à comunidade da Restinga e começaram a demolir moradias e pequenos comércios que operavam na área há mais de 20 anos.

   Edilson, morador e comerciante da Restinga, descreveu a operação: “Dez horas da manhã eles chegaram com máquinas, policiais, tropas de choque com grandes armas e já chegaram desocupando os imóveis. Quem não queria sair eles pegavam aquela retroescavadeira, que está aqui hoje, e derrubavam a porta do morador. Subiam os policiais entravam em sua casa, tiravam você à força e a derrubavam”.

   Desde então, muitas das famílias que moravam e trabalhavam na Restinga perderam seus empregos e fontes de renda, enquanto crianças da comunidade não conseguiram transferência para novas escolas e acabaram perdendo meses de estudo.

   Ex-moradores da comunidade não receberam indenizações adequadas ou moradias alternativas adequadas, o que viola as normas internacionais de direitos humanos.

Violações repetidas em diversas comunidades
   Este padrão de abuso tem se repetido em outras comunidades ao longo do último ano, com as autoridades muitas vezes passando meses pressionando moradores para aceitar baixas ofertas de indenização em vez de respeitar as garantias processuais e legais que devem ser observadas antes de um despejo. A intimidação é vista como uma tática para induzir as famílias a se mudar para, na maioria dos casos, regiões remotas longe de seus empregos, escolas e comunidades.

   A situação ficou tão grave no início deste ano que a Relatora Especial das Nações Unidas para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik, interveio para exigir que o Governo brasileiro “suspendesse as remoções planejadas até que um canal de diálogo e negociação pudesse ser assegurado com as comunidade atingidas”.

   “Nós reconhecemos que as autoridades do Rio de Janeiro precisam entregar a infraestrutura adequada para garantir o sucesso e a segurança da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016”, disseram as organizações. “Mas isso deve ser realizado com um espírito de consulta e colaboração com as comunidades atingidas, de modo a assegurar que seus direitos sejam protegidos no processo.”

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The state is treating 100% of the population of the region as potential criminals


   In the Complexo do Alemão favela, in Rio de Janeiro, Brasil, alert sounds as the army curfew. The state is treating 100% of the population of the region as potential criminals.

   A car sound empty streets in Complexo do Alemão favela, and explains how residents should act in operation and warns that any” counterwork action ”  will be considered hostile act and get the “answer'


Rio - An army jeep with a loudspeaker announcing rules of behavior to the population caused tension during operation yesterday afternoon Complexo do Alemão in the North Zone of Rio. Messages sounded like kind of curfew and soon most of the streets remained empty.

   In the recording, a deep voice guided, "Gentlemen residents, the Brazilian Army are conducting a court according to the law. Close your doors and windows and await guidance. When prompted, open the door and act politely. Obey all instructions. Any action contrary will be considered hostile act and receive the necessary response. "

   Military women searched women's handbags  who passed through the community , searching for weapons and drugs | Photo: Alison Cole / Day Agência O Dia

   Simultaneously, a military helicopter dropped leaflets urging residents to denounce criminals, weapons, drugs and explosives. In the action, two rifles, parts of a machine gun and drugs were seized.

   Another record asked the cooperation of the population and used the following sentence: "The troops of the peacekeeping force in this community are present to protect you and your family." The action had the support of the military police battalion Campaign and police officers of the 22 nd Precinct  (Penha) to comply with a search and generic  seizure  warrant, which encompassed all the area of the  Pedra do Sapo.

   The warrant was issued by Judge Palheiro Renata Mendes de Almeida, in the legal duty on the last Sunday. Female residents were searched by female soldiers.

    Some residents of the Itajoá, Antonio Rego and Itacorá streets did not alter their routine. A few meters far from the military army, sitting on the sidewalk, housewife drank soda,  oblivious to the movement.

   Director of the NGO Global Justice Sandra Carvalho said she would report the army actionr to federal prosecutors.

   "It's an exaggeration. This kind of action violates the human rights of residents and indicates that criminalizing a look into the favela citizens. "

Alerter is common in the actions'

   “Operations with car sound alerting residents is a common practice in the operations in the Complexo do Alemão, according to public relations peacekeeping force, Maj. Marcus Vinicius Bouças. He said  the messages on the speaker serve to “educating the public and explain what is happening”.

   There are several recordings used by the military. Messages are used since the occupation began and generally reinforce the army is on a mission of peace to maintain a safe environment.

     "Your attitude is essential for the good of all. Help peacekeeping force to help you and your community, "says one of the texts presented to the O DIA official. In most of the messages, asked cooperation from  the residents, in order to  they do not  interfere in the actions of the troops.

Experts, NGOs and parliamentarians are outraged with the operation

   The message stated that residents stay indoors with doors and windows closed has caused outrage in security experts.

   "In practice, the Army ordered a curfew for residents who have no obligation to obey. But the army itself warns that those who do not comply will be treated as an enemy. That is, is absurd, is serious, "says professor and sociologist Ignacio Cano, a specialist in public violence.

   Rep. Marcelo Freixo is emphatic. "It's an aberration. In Rio, CEP has dignity. If the dangerous and recently arrested drug dealer ‘Polegar’ ' was hidden in a condominium in a rich neighborhood Barra da Tijuca, I doubt anyone would give a search warrant for the entire condo. I am not against the Complexo do Alemão operation, but against the way it is done, "he said.

   Coordinator of the NGO Observatory of Slums, Jailson de Souza e Silva also criticized the content of the message. "It's a disrespect to the  fundamental rights. The state is treating 100%of the population of the region as  potential criminals. "