SAÚDE
Por Jorge Henrique, de Brasília
O PLS 268/02 (Lei do Ato Médico), que dispõe sobre a regulamentação da profissão de medicina no Brasil, há muitos anos é alvo de críticas de estudantes e profissionais de mais de 13 categorias da Saúde. Existe a necessidade imperiosa que o projeto seja vetado pela Dilma e que se rediscuta outro projeto de regulamentação da profissão médica, que não acabe com a autonomia das outras profissões e que seja um instrumento que resguarde a multidisciplinaridade como um dos pilares da Saúde. Para além disso, é necessário uma análise mais global, que permita identificar o papel que cumpre o projeto no atual modelo assistencial de saúde e que aponte soluções para a disputa de um novo projeto de saúde, que considere os aspectos econômico-sociais à assistência ao ser humano.
A medicina científica e a transformação da saúde em mercadoria
No início do século XX, surge no interior das sociedades capitalistas, em disputa às práticas empíricas na medicina - denominação geral para as práticas das pessoas com habilidades curativas -, a medicina científica ou flexneriana, baseada nos ideais positivistas da época, e que influenciaria sobremaneira, até os dias de hoje, o processo de trabalho em saúde. Já naquela época, pôde-se observar a hierarquia gerada entre os homens brancos e ricos que frequentavam as escolas de medicina e os que praticavam a medicina empírica ou alternativa. Estas sofriam uma resistência na promulgação leis de licenciamento para a liberdade da cura e terapias alternativas.