segunda-feira, 27 de agosto de 2012

“Por que defendemos o Wikileaks e Assange”

Por Michael Moore e Oliver Stone, em Outras Palavras

   Passamos nossas carreiras de cineastas sustentando que a mídia norte-americana é frequentemente incapaz de informar os cidadãos sobre as piores ações de nosso governo. Portanto, ficamos profundamente gratos pelas realizações do WikiLeaks, e aplaudimos a decisão do Equador de garantir asilo diplomático a seu fundador, Julian Assange – que agora vive na embaixada equatoriana em Londres.

   O Equador agiu de acordo com importantes princípios dos direitos humanos internacionais. E nada poderia demonstrar quão apropriada foi sua ação quanto a ameaça do governo britânico, de violar um princípio sagrado das relações diplomáticas e invadir a embaixada para prender Assange.

   Desde sua fundação, o WikiLeaks revelou documentos como o filme “Assassinato Colateral”, que mostra a matança aparentemente indiscriminada de civis de Bagdá por um helicóptero Apache, dos Estados Unidos; além de detalhes minuciosos sobre a face verdadeira das guerras contra o Iraque e Afeganistão; a conspiração entre os Estados Unidos e a ditadura do Yemen, para esconder nossa responsabilidade sobre os bombardeios no país; a pressão do governo Obama para que outras nações não processem, por tortura, oficiais da era-Bush; e muito mais.

   Como era de prever, foi feroz a resposta daqueles que preferem que os norte-americanos não saibam dessas coisas. Líderes dos dois partidos chamaram Assange de “terrorista tecnológico”. E a senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia que lidera o Comite do Senado sobre Inteligência, exigiu que ele fosse processado pela Lei de Espionagem. A maioria dos norte-americanos, britânicos e suecos não sabe que a Suécia não acusou formalmente Assange por nenhum crime. Ao invés disso, emitiu um mandado de prisão para interrogá-lo sobre as acusações de agressão sexual em 2010.

   Todas essas acusações devem ser cuidadosamente investigadas antes que Assange vá para um país que o tire do alcance do sistema judiciário sueco. Mas são os governos britânico e sueco que atrapalham a investigação, não Assange.

   Autoridades suecas sempre viajaram para outros países para fazer interrogatórios quando necessário, e o fundador do WikiLeaks deixou clara sua disposição de ser interrogado em Londres. Além disso, o governo equatoriano fez uma oferta direta à Suécia, permitindo que Assange seja interrogado dentro de sua embaixada em Londres. Estocolmo recusou as duas propostas.

   Assange também comprometeu-se a viajar para a Suécia imediatamente, caso o governo sueco garanta que não irá extraditá-lo para os Estados Unidos. Autoridades suecas não mostraram interesse em explorar essa proposta, e o ministro de Relações Exteriores, Carl Bildt, declarou inequivocamente a um consultor jurídico de Assange e do WikiLeaks que a Suécia não vai oferecer essa garantia. O governo britânico também teria, de acordo com tratados internacionais, o direito de prevenir a reextradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos, mas recusou-se igualmente a garantir que usaria esse poder. As tentativas do Equador para facilitar esse acordo entre os dois governos foram rejeitadas.

   Em conjunto, as ações dos governos britânico e sueco sugerem que sua agenda real é levar Assange à Suécia. Por conta de tratados e outras considerações, ele provavelmente poderia ser mais facilmente extraditado de lá para os Estados Unidos. Assange tem todas as razões para temer esses desdobramentos. O Departamento de Justiça recentemente confirmou que continua a investigar o WikiLeaks, e os documentos do governo australiano de fevereiro passado, recém-divulgados afirmam que “a investigação dos Estados Unidos sobre a possível conduta criminal de Assange está em curso há mais de um ano”. O próprio WikiLeaks publicou emails da Stratfor, uma corporação privada de inteligência, segundo os quais um júri já ouviu uma acusação sigilosa contra Assange. E a história indica que a Suécia iria ceder a qualquer pressão dos Estados Unidos para entregar Assange. Em 2001, o governo sueco entregou à CIA dois egípcios que pediam asilo. A agência norte-americana entregou-os ao regime de Mubarak, que os torturou.

   Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequência repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão estadunidense, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte-americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar suas leis. Criar esse precedente deveria preocupar profundamente a todos, admiradores do WikiLeaks ou não.

   Conclamamos os povos britânico e sueco a exigir que seus governos respondam algumas questões básicas. Por que as autoridades suecas recusam-se a interrogar Assange em Londres? E por que nenhum dos dois governos pode prometer que Assange não será extraditado para os Estados Unidos? Os cidadãos britânicos e suecos têm uma rara oportunidade de tomar uma posição pela liberdade de expressão, em nome de todo o mundo.

Femen Brazil: ativismo ou marketing?

Por Marília Moschkovich, editora de Mulher Alternativa

   A primeira vez que ouvi falar do Femen, achei-as no mínimo bem-humoradas. As militantes ucranianas utilizavam-se da nudez em protestos públicos. Ganharam a mídia da Ucrânia e a imprensa internacional com facilidade. Em seguida, vieram informações de que ainda que haja mulheres de outros tipos físicos na organização, sãos as loiras, brancas e com corpos “de gostosa” que ficam nuas. Segundo essa informação que chegou, essa “seleção” é uma estratégia (que parece ter funcionado muito bem) para chamar a atenção. Por mais que eu e tantas outras feministas questionássemos e discordássemos desta estratégia, ainda considerávamos que na conjuntura da Ucrânia – em que nenhuma de nós é muito expert – talvez esta linha de atuação fizesse mesmo mais sentido. Respeitar a autonomia dos diferentes grupos de militância em seus locais é sempre uma boa pedida.

   Há alguns meses ouvimos falar que uma brasileira estaria trazendo o Femen para cá. Mantivemos as orelhas em pé, afinal de contas, podia ser um grupo aliado importante em muitas causas. Era preciso esperar para ver. Porém, Sarah Winter, a jovem mulher que começou a despontar na mídia de massas e na blogosfera como “o Femen no Brasil”, não me passou lá muita segurança. Ainda era cedo pra dizer qualquer coisa, para chegar a qualquer conclusão. Esperemos. Então ela começou a se pronunciar sobre vários assuntos, em programas de tevê, reportagens jornalísticas, etc. A quantidade de material reunido, para mim, passou então a ser suficiente para formar uma opinião, que compartilho aqui com vocês.

   Antes de dizer qualquer coisa, quero deixar claro que vou me restringir a falar do Femen enquanto grupo e da atuação de Sarah como “cara do Femen no Brasil”. Não me interessa o que ela fez antes na vida; não me interessa o que ela faz em sua vida pessoal; não estou discutindo sua história, simplesmente porque nem a conheço bem o suficiente para isto, nem tenho provas concretas de nada – apenas especulações e rumores, embora sejam bem preocupantes. Este texto é sobre o Femen Brazil (com zê) e sobre declarações feitas por ela em nome do grupo enquanto representante.

   Toda a fúria, fervor e horror das pessoas ao descobrirem posicionamentos políticos (ainda que passados) de Sarah ligando-a a ideias nazifascistas, infelizmente não chegam aos pés da reação geral sobre declarações racistas e homofóbicas. O que mostra claramente que, mesmo entre a militância feminista, humanitária e de esquerda, no Brasil (com esse), ainda temos um longo caminho a percorrer. Sarah declarou, em entrevista, que “as ucranianas têm genes privilegiados”. Disse, ainda, que muitas destas militantes, “descontentes” com o que homens fazem, “viram lésbicas”. Espero que, como imagino, eu não precise explicar a vocês qual é exatamente o problema nestas afirmações e onde elas são racista, uma, e homofóbica, a outra.

   Algumas pessoas questionam se podemos julgar tais falas de Sarah Winter como representativas do Femen Brazil (com zê), já que, para traçar um paralelo, eu não falo (e nem ninguém) em nome das Blogueiras Feministas. Há uma diferença gigantesca aí, porém. O Femen Brazil é um grupo que ela está começando, sozinha; que tem processo seletivo (ela escolhe quem vai participar), uma estrutura hierarquizada, uma linha de atuação política que já veio pré-determinada pelos moldes do grupo ucraniano. As Blogueiras Feministas são um grupo autogestionado, horizontal, de associação livre, sem qualquer estrutura interna hierárquica. Não existe uma líder das Blogueiras Feministas, e nós somos um grupo que contempla pessoas tão diferentes entre si quanto Hailey Kaas, Luciana Nepomuceno e Lola Aronovich. Os feminismos das Blogueiras Feministas são tão diversos quanto as pessoas que integram o grupo, e há espaço (embora jamais livre de embates e disputas – que bom!) para todos eles. Há quem tire a camiseta na Marcha das Vadias e caminhe ao lado da Tambores de Safo na abertura da Rio+20, mas há quem seja contra este tipo de ação e ache uma melhor estratégia escrever lindamente do cantinho da sua casa. Somos toda válidas, somos todas feministas. É impossível, porém, que o discurso de uma de nós seja o discurso unânime do grupo. O caso do Femen Brazil (com zê) não parece ser o mesmo, nem de longe. Quando Sarah Winter faz, já associada ao grupo, declarações racistas e homofóbicas como estas, é razoável direcionar tais críticas ao incipiente grupo de militância e ação política.

   Outro problema grave do Femen Brazil, na minha opinião, é a tentativa inicial de copiar o molde ucraniano e colar na realidade brasileira. Querer discutir tráfico de pessoas no Brasil sem falar da questão racial, por exemplo, é uma grande roubada, além de reproduzir um outro tipo de racismo – aquele que “apaga” a desigualdade racial e torna a pessoa branca em “pessoa universal”, configurando uma violência simbólica perversa.

   O Femen Brazil, porém, não é o único grupo feminista ao qual tenho críticas quanto à atuação e defesa de certas ideias. Há grupos feministas racistas; há grupos feministas cissexistas; há grupos feministas homofóbicos; há grupos feministas moralistas. Por que então falar do Femen Brazil, em especial? A resposta é simples. Sem sequer existir direito, o Femen Brazil tem tido uma atenção excepcional da mídia e da sociedade brasileira em geral. A estratégia das ucranianas parece ter funcionado neste sentido. O problema é que a mídia não tem se mostrado preparada para tratar este grupo como o que ele realmente é: um grupo feminista, entre tantos grupos, de tantos feminismos.

   O feminismo – e isso que o Femen Brazil (com zê) chama de “neofeminismo” – já existem há muito tempo. Dentro deste espaço de militância, aliás, nada do que o Femen Brazil tem feito pode ser considerado “novo”, “original” ou até mesmo “progressista”. Sua atuação está muito mais para uma ação de marketing (pessoal, talvez) do que para qualquer reivindicação que transforme de fato a sociedade. Isto não é feminismo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Discurso de Assange na embaixada do Equador em Londres (em Português)

Escrito por Redação

   Falo daqui, porque não posso estar mais perto de vocês. Obrigado por estarem aí.
Obrigado pela coragem de vocês e pela generosidade de espírito.

   Na noite de 4ª-feira, depois dessa embaixada ter recebido uma ameaça, e de a polícia ter cercado o prédio, vocês vieram para cá, no meio da noite, e trouxeram, com vocês, os olhos do mundo.

   Dentro da embaixada, durante a noite, eu ouvia os policiais andando pelas entradas de incêndio do prédio. Mas sabia que, pelo menos, havia testemunhas. Isso, graças a vocês.
Se o Reino Unido não pisoteou as convenções de Viena e outras, foi porque o mundo estava atento e vigilante. E o mundo estava vigilante, porque vocês estavam aqui.

   Por isso, da próxima vez que alguém lhes disser que não vale a pena defender esses direitos tão importantes para nós, lembrem a eles dessa noite de vigília, tarde da noite, na escuridão, à frente da Embaixada do Equador. Façam-nos lembrar como, pela manhã, o sol raiou sobre um mundo diferente, quando uma valente nação latino-americana levantou-se em defesa da justiça.

   Agradeço ao bravo povo do Equador e ao presidente Correa, pela coragem que manifestaram, ao considerar o meu pedido e ao conceder-me asilo político.

   Agradeço também ao governo e ao ministro do Exterior do Equador Ricardo Patiño, que fizeram valer a Constituição do Equador e sua noção de cidadania universal, na consideração que deram ao meu caso.

   E ao povo do Equador, por apoiar e defender sua Constituição. Tenho uma dívida de gratidão também com o pessoal dessa embaixada, cujas famílias vivem em Londres e que me manifestaram gentileza e hospitalidade, apesar das ameaças que todos eles receberam.

   Na próxima 6ª-feira, haverá reunião de emergência dos ministros de Relações Exteriores da América Latina em Washington, DC, para discutir essa nossa situação. Sou extremamente grato ao povo e aos governos de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Venezuela e a todos os demais países da América Latina que defenderam o direito de asilo.

   Ao povo dos EUA, Reino Unido, Suécia e Austrália, que me deram apoio e força, mesmo quando seus governos me negavam qualquer direito. E às cabeças mais arejadas de todos os governos, que ainda lutam por justiça: o dia de vocês raiará.

   À equipe, apoiadores e fontes de Wikileaks, cuja coragem, compromisso e lealdade foram sem iguais.

   Minha família e meus filhos, que vivem sem pai, perdoem-me. Logo estaremos novamente reunidos.

   Enquanto Wikileaks estiver sob ameaça, ameaçadas estarão também a liberdade de expressão e a saúde de nossas sociedade. Temos de usar esse momento para articular a decisão diante da qual está hoje o governo dos EUA.
   Voltará o governo dos EUA a reafirmar os valores sobre os quais aquela nação foi fundada? Ou o governo dos EUA despencará do precipício, arrastando com ele todos nós, para um mundo perigoso e repressivo, no qual os jornalistas serão para sempre silenciados, pelo medo das perseguições, e os cidadãos serão condenados a sussurrar na escuridão?

   Digo que isso não pode continuar.

   Peço ao presidente Obama que faça a coisa certa.

   Os EUA têm de desistir dessa caça às bruxas contra Wikileaks.

   Os EUA têm de cancelar a investigação pelo FBI, contra Wilileaks.

   Os EUA têm de se comprometer a não perseguir nem processar nosso pessoal, nossa equipe e nossos apoiadores.

   Os EUA têm de prometer, ante o mundo, que nunca mais perseguirão jornalistas exclusivamente porque jornalistas lancem luz sobre crimes cometidos pelos poderosos.

   Têm de ter fim todos os discursos insanos sobre processar empresas de jornalismo, seja Wikileaks ou o New York Times.

   A guerra do governo dos EUA contra os que apitam e lançam sinais de alarme justificado e legítimo tem de acabar.

   Thomas Drake e William Binney e John Kiriakou e tantos outros heroicos guardas avançados, que alertaram para os piores perigos que eles, antes de outros, viram chegar, têm de ser – eles têm de ser! – perdoados e indenizados pelos riscos a que se expuseram e pelos sofrimentos que padeceram, para bem cumprir seu dever, como bons servidores do interesse público.

   E o soldado que permanece em prisão militar em Fort Levenworth, Kansas, que a ONU constatou que viveu sob as mais monstruosas condições de prisão em Quantico, Virginia, e que ainda não foi julgado, mesmo depois de dois anos de prisão, tem de ser posto em liberdade.

   Bradley Manning tem de ser libertado.

   Se Bradley Manning realmente fez o que é acusado de ter feito, então é herói e exemplo para todos nós, e um dos mais importantes prisioneiros políticos do mundo, hoje.

   Bradley Manning tem de ser libertado.

   Na 4ª-feira, Bradley Manning completou 815 dias de prisão sem julgamento. A lei estipula o prazo máximo de 120 dias.

   Na 3ª-feira, meu amigo Nabeel Rajab, presidente do Centro de Direitos Humanos do Bharain foi condenado a três anos de prisão, por um tweet.

   Na 6ª-feira, uma banda russa foi condenada a dois anos de cadeia, por uma performance de conteúdo político.

   Há unidade na opressão. Tem de haver absoluta unidade e absoluta determinação na resposta. Obrigado.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Doação de planos de saúde a campanhas eleitorais cresce em 746,5%


O financiamento de candidaturas por planos de saúde aumentou em 746,5% desde as eleições de 2002, quando essas empresas destinaram 1,3 milhão de reais. Já nas últimas eleições, em 2010, o setor desembolsou 12 milhões.

   Em relação às eleições de 2006, em que repassaram 8,6 milhões de reais, houve um acréscimo de 37,2%. Os dados são do estudo “Representação política e interesses particulares na saúde: o caso do financiamento de campanhas eleitorais pelas empresas de planos de saúde no Brasil”.

   A pesquisa foi desenvolvida por Mário Scheffer, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e Lígia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O levantamento, feito a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que o gasto ajudou os planos de saúde a ampliarem seu espaço político em todas as esferas de governo.

   O apoio nas últimas eleições contribuiu para aumentar de 28 para 38 o número de deputados federais da chamada bancada da saúde suplementar. Foram eleitos ainda 26 deputados estaduais aliados ao setor. Os governadores mais favorecidos foram Geraldo Alckmin (PSDB-SP), 400 mil reais, e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), com 170 mil.

   Os dois principais candidatos à presidência da República também receberam financiamento do setor. O Grupo Qualicorp doou 1 milhão de reias para a campanha da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) e metade deste valor para do candidato José Serra (PSDB).

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Defensoria Pública do Rio apoia Conselho de Enfermagem contra a Cremerj

Por CO, da Agência Rio de Notícias

   A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro resolveu decidir em favor do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RJ) e vai propor em reunião nesta quinta-feira (26) que a ação civil pública contra as resoluções 265 e 266/2012 do Conselho Regional de Medicina (Cremerj) seja apoiada pela Defensoria Geral da União.

   A ação civil será ingressada pelo Coren-RJ nesta sexta-feira. Publicadas no último dia 19, as resoluções do Cremerj proíbem a presença de parteiras, obstetrizes e doulas no acompanhamento às parturientes nas maternidades, além de vetar a participação do médico nas equipes de partos domiciliares e também de integrar quadro de suporte hospitalar ao parto em casa.

   Na reunião oficial da DGU estarão presentes também as coordenadorias dos Núcleos Especiais de Defesa dos Direitos da Mulher (NUDEM) e de Defesa dos Direitos Humanos (NUDEDH).

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Cremerj vai apurar remoção de pacientes no IASERJ


   O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) vai abrir uma sindicância para apurar os fatos sobre a remoção dos pacientes internados no Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), do Centro.  O Cremerj quer ouvir a comissão ética do hospital para verificar se houve algum delito ético durante a retirada dos pacientes.  O conselho vai apurar se houve algum comunicado aos familiares e se os pacientes foram retirados em segurança.  

   Na madrugada de domingo (15), os pacientes do Iaserj foram transferidos para outras unidades hospitalares pela cidade do Rio. A operação gerou protestos pelos funcionários do instituto que são contrários à demolição do hospital.  O terreno onde fica o Iaserj foi cedido ao Instituto Nacional do Câncer (Inca) pelo Governo do Estado do Rio, em 2008. No local, vai ser construído um centro de tratamento e pesquisa do câncer que vai possibilitar a ampliação do atendimento. 

   “O Cremerj acompanhou a luta contra a desativação do Iaserj Central, sendo contra o fechamento de qualquer hospital público”, informou o conselho em comunicado à imprensa.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Outras Palavras atacado: como estamos reagindo

Blog Outras Palavras foi atacado e retirado do ar. Confira a nota do editor Antônio Martins.

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Páginas devem voltar ao ar até terça-feira. Agressão revela métodos de quem não tolera liberdade de expressão. Em breve, novidades editoriais e plano para criar rede de apoiadores

   É provável que, em algum momento, nas próximas 24 horas, os sites de Outras Palavras voltem ao ar. Os vírus que haviam sido implantados em nossos servidores no final da noite de sábado (veja mensagem que enviamos ontem, ou notícia em nossa página do Facebook) foram removidos – aparentemente, por completo. Uma nova varredura foi solicitada ao Google, para que constate o fim da invasão e deixe de enviar alertas a quem visita www.outraspalavras.net. Um trabalho suplementar, de correção de eventuais sequelas e tentativa de identificar os agressores, começará assim que for possível visualizar o estado de nossas bases de dados e a aparência dos sites.

   O que foi possível apurar até agora ajuda a compreender como agem, na internet, os que temem a liberdade de expressão. A partir das primeiras horas desta segunda-feira (9/7), o Google forneceu uma primeira relação de 26 páginas de Outras Palavras que haviam sido infectadas, cerca de 24 horas antes. A tática dos agressores foi tirar o site do ar por meios indiretos. Eles introduziram, em nossos códigos, programação que pode contaminar os computadores de quem busca nossas informações e análises. Sabiam que, em seguida, estas ameaças seriam detectadas e, na prática, bloqueariam o acesso a nosso conteúdo. Quem se atreve a visitar um espaço na web qualquer, ao de ser avisado de que “www.outraspalavras contém malware. Seu computador pode ser infectado por um vírus, se você visitar este site”?

   Mas de onde vieram os ataques? Por volta das 23h de sábado, minutos depois de constatada a invasão, solicitamos de nosso atual serviço de hospedagem (o Dreamhost) uma varredura em todos os nossos bancos de dados. A resposta chegou na tarde desta segunda, na forma de um vasto relatório. Ele revela que, nos últimos trinta dias, o espaço interno de administração do site foi acessado a partir de sete pontos na internet (IPs): três deles estão no Brasil, como é natural. Porém, há também acessos feitos da França, Grã-Bretanha e Lituânia. “Isso pode indicar que suas senhas foram invadidas”, diz Dreamhost. Para nós, é algo óbvio. Nenhuma das pessoas autorizadas a fazer intervenções importantes na arquitetura de Outras Palavras reside ou passou por nenhum destes três países, no último mês. Ou os invasores estão lá; ou usaram, como disfarce, sistemas que despistam sua origem.

   Como nossas senhas foram roubadas? O próprio relatório do Dreamhost ajuda a entender. Uma das brechas mais prováveis são os computadores que usamos para alimentar os sites. Se algum deles tiver sido infectado por um vírus do tipo cavalo-de-tróia, a senha de acesso aos sites pode ter-se tornado vulnerável.

   O ataque ajuda a identificar nossos calcanhares-de-aquiles. Lançado há pouco mais de dois anos, Outras Palavras cresceu rapidamente. Sua audiência está próxima de 5 mil leitores/dia. Atingimos a meta sem concessões. Mantemos um esforço permanente pela profundidade, por destacar o que os grandes meios esforçam-se em ocultar, por buscar ângulos inéditos e surpreendentes em nossas análises, por valorizar soluções estéticas inovadoras nas imagens e desenho gráfico. Mas nossa estrutura financeira e material ainda é frágil – em parte, porque todo o trabalho concentrou-se, nestes dois anos, na busca de qualidade editorial.

   Agimos para superar estas lacunas. Precisamente em julho, mês em que sofremos o ataque, estamos iniciando uma nova ampliação editorial e um plano para dar sustentabilidade material ao site. Desde 2/7, uma equipe de cinco novos colaboradores está em nossa redação, conhecendo os meandros de Outras Palavras.. São jovens (entre 20 e 25 anos), ágeis e rápid@s. Em breve, começarão a produzir. Além de textos, a concretização de uma mudança gráfica; a criação de uma web-TV; a formação de uma rede de apoio e participação no site que buscará envolver nossos leitores.

   Dezenas de pessoas responderam, desde domingo à noite, à primeira mensagem em que relatamos a agressão sofrida. Em alguns casos, transmitiram sugestões que estão sendo úteis no resgate; em muitos outros, comunicaram seu apoio ao trabalho que fazemos e sua confiança na recuperação do material produzido. Este apoio foi e será cada vez mais importante.

   A invasão é desagradável e dispersa momentaneamente energias, mas passará em breve – mesmo que seus efeitos tenham sido maiores do que supomos. Quando você puder acessar www.outraspalavras.net sem receber alerta de vírus, os inimigos da liberdade de expressão terão sido derrotados mais uma vez. O ritmo de nossas atualizações vai diminuir, nos primeiros dias após o choque. Mas voltaremos muito mais fortes, em seguida – e, em especial, mais capazes de envolver, em Outras Palavras, gente que quer batalhar de forma ativa por outra comunicação e outro mundo.

   Mando, em nome de toda a equipe, nosso abraço afetuoso

Antonio Martins
Editor

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Petroleiros decidem ampliação de greve na Noruega

Por CO, em Agência Rio de Notícias

   A decisão sobre a ampliação da greve dos trabalhadores do setor de petróleo offshore da Noruega acontecerá amanhã, sexta-feira (6). 

   Depois do fracasso da segunda rodada de negociações com a indústria petroleira, realizada na última quarta-feira (4), o líder do sindicato Safe disse que os trabalhadores estão preparados para estender a greve por semanas.

   "Não, nós ainda não chegamos a um acordo. A greve vai continuar", disse Leif Sande, chefe da Industri Energi, o maior dos três sindicatos em greve. A paralisação tem atrasado o envio de petróleo do oitavo maior exportador do mundo.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ato em Solidariedade ao povo paraguaio nesta sexta às 16h

   O Comitê Rio de Janeiro de Solidariedade ao Povo Paraguaio conclama todos a se manifestarem contra o golpe que derrubou o presidente Lugo no Paraguai. Participe do ato público, a realizar-se nesta sexta-feira, 29 de julho, às 16h, em frente ao Consulado do Paraguai

   Cidadãs e cidadãos brasileiros, povos da América Latina:

   O golpe é um grave precedente que ameaça a democracia e a soberania em nosso continente:

Hoje foi no Paraguai. Amanhã, onde será?

   O que aconteceu no país vizinho é uma afronta à Convenção Americana sobre Direitos Humanos e à própria Constituição da República do Paraguai, que assegura a todo o cidadão o direito à ampla defesa, com prazo razoável. Tal direito não foi assegurado a um presidente eleito democraticamente, pelo voto popular. Além disso, o processo contra o presidente Fernando Lugo se baseou em acusações vagas e inconsistentes. O golpe representa uma ruptura com a ordem democrática no Paraguai e afronta todos os povos da América Latina. Não podemos permitir que o direito democrático de eleger livremente nossos representantes e de termos nossa soberania respeitada, reconquistado à custa de muita luta em nosso continente, seja ameaçado, como está acontecendo no Paraguai. É hora de manifestarmos nossa solidariedade ao povo paraguaio nas ruas e de alertamos para o risco de ruptura com a ordem democrática que paira sobre os povos da América Latina. Todos ao ato em frente ao Consulado do Paraguai, nesta sexta, 16h!

Contra o golpe
Contra a intervenção imperialista
Em defesa da democracia e da soberania
dos povos da América Latina


Ato em Solidariedade ao Povo Paraguaio
Dia 29, sexta-feira, às 16 horas
em frente ao Consulado do Paraguai, Praia de Botafogo, 242, Rio de Janeiro

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Solidariedade à Vila Autódromo

A tarde, ato no Centro do Rio
reuniu cerca de 80.000 ativistas
Por AsCom Cúpula dos Povos (Informe nº 53)

   O Dia de Ação Mundial da Cúpula dos Povos teve início na madrugada de ontem (20), com uma vigília na Vila Autódromo, na Baixada de Jacarepaguá. Pela manhã, mais militantes somaram-se à manifestação de solidariedade à comunidade ameaçada de remoção.

   Há 10 anos na Vila Autódromo, a líder cultural Jane Nascimento conta que os moradores estão sendo pressionados a desalojarem o lugar. A manifestação, segundo ela, "foi fundamental para fortalecer nos moradores a disposição de resistência". Jane acredita que os Jogos Olímpicos de 2016 sejam apenas pretexto para ceder a área à especulação imobiliária. Para lideranças do Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos, a Vila Autódromo simboliza a onda de violações de direitos promovidas contra os povos, com o objetivo de favorecer grandes investimentos. E que tendem a aumentar caso seja implementada a proposta de "economia verde", baseada na apropriação de recursos naturais e territórios como capital.

   Caso ocorra o despejo, serão atingidas cerca de 4 mil pessoas. Para defender suas moradias, integrantes da comunidade estão criando um plano de urbanização, em parceria com setores de Arquitetura da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O processo de elaboração é participativo, com propostas discutidas e votadas em assembleias.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Assange pede asilo no Equador

Após a divulgação dos documentos, Assange passou
a ser acusado de estupro na Suécia
Por R Noel (com informações de @jornalismob e @labSurLab)

   Na carta enviada ao presidente do Equador, Rafael Correa, Julian Assange diz que ”a perseguição da qual sou alvo em diversos países deriva não só de minhas idéias e ações, mas de meu trabalho ao publicar informações que comprometem os poderosos, de publicar a verdade e, com isso, desmascarar corrupção e graves abusos aos direitos humanos ao redor do mundo”.

   Um grupo de ativistas (@labSurlab) está convocando redes solidárias a Assange e realizando uma campanha na internet e no twitter (usando as hastags #Assange, #AsiloAssangeEC e #AsiloAssange) como forma de levar a campanha em solidariedade ao criador do Wikileaks ao conhecimento de todos e todas.

   Desde a criação do Wikileaks, milhares de documentos sigilosos foram divulgados. Algumas revelações envolvem até mesmo as Organizações Globo.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rádio Cúpula dos Povos conquista licença para operar

Por AsCom Cúpula dos Povos (Informe nº 50)

   A Rádio Cúpula dos Povos, com o apoio dos movimentos em defesa da comunicação livre, conseguiu reverter a ameaça de fechamento da emissora pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).  Após negociações durante toda a tarde e início da noite de ontem (17), o Ministério das Comunicações e a agência reguladora vão emitir uma “licença experimental” para a operação da rádio. A Rádio Cúpula dos Povos está instalada no Aterro do Flamengo, em frente ao Museu da Arte Moderna (MAM), para acompanhar as atividades da Cúpula dos Povos, evento crítico à Rio+20 e às propostas de mercantilização da natureza.

   No momento, a Rádio Cúpula dos Povos realiza ajustes técnicos no transmissor para retomar a transmissão por antena, prevista para as 15h. Em nenhum momento, a rádio teve sua programação interrompida ou as portas fechadas pela ação da Anatel. Enquanto as discussões se desenvolviam, transmitiu normalmente até o horário regular de encerramento, sempre às 22h30.

   Participaram das negociações a Secretaria de Direitos Humanos, a Secretaria Geral da Presidência da República, o Ministério das Comunicações e a Anatel; e, pela rádio, a direção da Rádio Cúpula dos Povos, a Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias) e o Coletivo Intervozes, que integra o Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações. A licença experimental será concedida à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que ficará responsável juridicamente pela transmissão via antena. A EBC é parceira da Rádio Cúpula dos Povos desde sua formação, ao lado de 50 outras rádios públicas e comunitárias. De acordo com a Anatel, não houve nenhuma denúncia ou queixa de moradores ou emissoras contra as transmissões.

   Manifestantes de vários coletivos, rádios comunitárias e entidades de mídia livre se manifestaram no Aterro em defesa da emissora. Segundo Leonardo Neves, diretor da Rádio Cúpula dos Povos, a ação truculenta, que teve a participação da Polícia Federal e da Política Militar do Rio de Janeiro, aumentou a capacidade de mobilização e a visibilidade da rádio. “Os acessos à rádio na internet aumentaram dez vezes”, calcula. Além disso, ele acredita que é uma grande oportunidade para discutir uma mudança no tratamento dados às rádios de baixa potência. Muitos países já adotam modelos mais flexíveis, que dispensam autorização formal.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

ONU recomenda fechamento do Presídio Ary Franco no RJ

Por Daniella Jinkings, na Agência Brasil

   O Subcomitê de Prevenção à Tortura (SPT) das Nações Unidas recomendou ao Brasil o fechamento imediato do presídio masculino Ary Franco, no Rio de Janeiro. De acordo com relatório, divulgado hoje (14), a infraestrutura do local é inadequada e não há profissionais suficientes nas áreas de assistência social, saúde e educação. Além disso, há casos de superlotação e tortura.

   “O SPT reitera o apelo feito em suas observações preliminares ao estado no sentido do fechamento imediato da prisão Ary Franco. Em seguida, esse estabelecimento deveria ser desativado permanentemente ou completamente reestruturado e remodelado”, recomenda o subcomitê da ONU.

   De acordo com os observadores, as celas no Ary Franco são geralmente escuras, sujas, abafadas e infestadas de baratas e outros insetos. A grave superlotação e a manutenção precária das celas resultaram em condições que criaram graves problemas de saúde para os detentos, como micoses e outras doenças da pele e do estômago. Em algumas celas, o subcomitê pôde perceber que o sistema de esgoto dos pisos superiores estava vazando pelo teto e pelas paredes.

   As celas em estado mais precário localizam-se no subsolo do prédio principal, especialmente nas áreas em que os prisioneiros necessitam de proteção contra outros detentos. O Corredor A, uma unidade dedicada a prisioneiros protegidos, detém uma capacidade oficial de 296 presos, mas acomodava 457 detentos na ocasião da visita. A capacidade de acomodação da unidade consiste em 21 celas de multiocupação (com 30 metros quadrados), cada uma contendo dois conjuntos de beliches e uma pia ou chuveiro. Cada cela acomodava até 30 detentos, metade dos quais dormia no chão, sem leito adequado.

   “As precárias condições materiais nas instalações do Ary Franco são acentuadas pelo fato de os detentos serem trancados em suas celas superlotadas, sem devida ventilação ou iluminação natural, continuamente por até duas ou três semanas – somente dez prisioneiros de cada cela tinham acesso ao rodízio de uma hora de banho de sol por semana.”

   No Ary Franco, o subcomitê observou que os internos são tratados de maneira continuamente degradante. O grupo da ONU recebeu relatos consistentes de maus-tratos, incluindo a destruição de pertences pelos agentes penitenciários. Os internos eram forçados a adotar posições humilhantes durante transferências ou inspeções. Por fim, recebeu também relatos de espancamentos.

   Para a ONU, o Rio de Janeiro deve seguir o exemplo do Espírito Santo, que fechou e demoliu o presídio de Viana em 2010. Após denúncias de maus-tratos aos presos, a Justiça Estadual determinou a interdição do presídio e proibiu a inclusão de novos detentos. Os presos que estavam em Viana foram transferidos para outras penitenciárias do estado.

   O subcomitê visitou os estados de Goiás, São Paulo, do Rio de Janeiro e Espírito Santo entre os dias 19 e 30 de setembro de 2011. Além de fazer visitas a 23 locais de detenção, como delegacias, prisões e unidades de internação socioeducativas, o grupo participou de reuniões com autoridades governamentais, com o Sistema ONU no Brasil e com membros da sociedade civil. No relatório, além de apontar os problemas e as denúncias contra o sistema carcerário, o SPT também faz diversas recomendações ao país.

   Em resposta à Agência Brasil, a Secretaria de Administração Penitenciária informou, no fim da tarde, que está disposta a fechar o presídio, mas ressaltou que, para isso, é necessário construir outras unidades prisionais.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Cerca de 5.000 ativistas das universidades federais realizam passeata pelo Centro do Rio

Por Rodrigo Noel, do Rio
Começa a ser votado nesta terça-feira (12) o PNE.
O ponto mais polêmico do debate se
refere ao montante do financiamento do setor.
Ato unificado entre estudantes, servidores e docentes demonstrou força do movimento e também contou com o apoio de servidores da saúde

   Sob o tema "Educação e Saúde Públicas: namore essa idéia", cerca de 5.000 pessoas estiveram presentes na tarde de hoje no Centro do Rio em um grande ato organizado pelas entidades representativas dos docentes das universidades em greve e pelos DCE´s.

   Dentro outros ítens na pauta, os docentes reivindicam reestruturação do plano de carreira e melhorias nas condições de trabalho. Os estudantes reivindicam reajuste das bolsas de assistência estudantil, 10% do PIB pra educação. Para o estudante Júlio Anselmo, da ANEL, "o dia 5 de junho foi muito importante para a greve nacional que se alastrou pelo Brasil nas últimas semanas. Agora é hora de construir o Comando Nacional de Greve dos Estudantes!". Confira aqui algumas imagens do ato.

Ato percorreu os principais pontos do Centro do Rio de Janeiro

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Execução sumária no Fogueteiro: policiais da UPP agem como toda a PM nas favelas


   Na última quinta-feira 07/06, em pleno feriado de Corpus Christi, o mecânico Jackson Lessa dos Santos, 20 anos, saiu da obra onde ajudava seu pai, na favela do Fogueteiro (Catumbi), passou na casa da irmã, Jacqueline, para levar o sobrinho à sua casa, onde o esperava a esposa e seus três filhos. Por volta das 15h, dirigia-se para um bar, onde se encontravam várias crianças, para comprar biscoitos, quando foi surpreendido pelo aparecimento de seis policiais militares vindo do Beco da Raia, já atirando.

   Jackson foi atingido nas costas e cercado pelos PMs. Segundo diversas testemunhas, implorou para que o deixassem viver, mas os policiais o executaram com diversos tiros no rosto. A violência da execução foi tamanha que um membro da Rede contra a Violência, irmão deJosenildo dos Santos, assassinado por policiais em 2009, localizou pedaços da arcada dentária de Jackson no local da execução, o que indica que seu crânio foi praticamente estraçalhado a tiros.

   A irmã de Jackson tentaram ainda socorrê-lo mas foi agredida pelos policiais, que arrastaram o corpo como se fosse um animal, infringindo ainda por cima todas as recomendações de não alteração do local para execução de perícia técnica. O corpo foi colocado numa viatura e levado para o Hospital Sousa Aguiar, embora já fosse evidentemente um cadáver. Esse tipo de ação visa normalmente justificar a remoção do corpo sob pretexto de “socorro” às vítimas, e conta infelizmente com a conivência de funcionários dos hospitais que aceitam dar entrada em cadáveres.

   Todas as testemunhas negam que houve troca de tiros e a irmã de Jackson, Jacqueline, e outras testemunhas, afirmaram que os PMs rasgaram o documento do mecânico e ainda colocaram uma arma em suas mãos e efetuaram pelo menos um tiro. Como normalmente faz a PM em favelas para encobrir seus crimes cometidos contra trabalhadores pobres e negros, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Coroa/Fallet/Fogueteiro divulgou uma nota alegando que houve confronto durante uma operação e que com Jackson foram encontradas armas e drogas. Como os parentes imediatamente procuraram a imprensa e denunciaram a execução, a PM foi obrigada a recolher armas dos policiais para a perícia, mas só o fizeram para dois PMs, enquanto pelo menos seis participaram da ação. Segundo as testemunhas, entre estes PMs está um policial conhecido como “Espinha”, conhecido como matador por atirar imprudentemente nas operações policiais, sem nenhum cuidado pela presença de pessoas, inclusive crianças. Policiais civis só chegaram ao local para realizar uma “perícia” cerca de três horas após o fato.

   Parentes e amigos de Jackson, muito revoltados, enterraram seu corpo no sábado 09/06, após sua mãe, Edileide, conseguir liberá-lo no IML. Membros da Rede contra a Violência estiveram presentes e já organizaram o encaminhamento dos parentes e testemunhas ao Ministério Público e à Defensoria Pública para formalizar a denúncia de assassinato.

   A brutal execução de Jackson acontece quase exatamente um ano depois do primeiro caso de execução sumária numa favela ocupada por UPP, o assassinato deAndré de Lima Cardoso Ferreira no Pavão-Pavãozinho em 12/06/2011, caso também acompanhado pela Rede, que levou à denúncia por homicídio de dois PMs (a primeira audiência judicial do processo será no próximo dia 16/07). Desde então, as denúncias de graves abusos cometidos por pinicais das UPPs, inclusive violência sexual contra moradoras das comunidades e roubos. Existem inclusive relatos de outras execuções, não denunciadas porque teriam sido de pessoas realmente ligadas ao tráfico de drogas, feitos por moradores, acusando policiais da mesma UPP do Fogueteiro e da UPP vizinha do Morro da Mineira. A Rede tem denunciado sistematicamente violações no Pavão-Pavãozinho-Cantagalo, e as denúncias são tantas que já estão sendo feitas freqüentemente pela grande imprensa mesmo.

   Esses fatos desmentem completamente a alegação oficial, do governo estadual e em especial da Secretaria de Segurança Pública, de que os policiais das UPPs receberam um treinamento diferenciado e que não repetem os métodos brutais e corruptos que sempre caracterizaram a atuação das Polícias Militar e Civil nas favelas e periferias do Rio de Janeiro. Embora não se possa afirmar que todos os policiais das UPPs estejam envolvidos nesses atos e violações, é fato inegável que subsistem violentas quadrilhas que aterrorizam os moradores nos “plantões do terror”, e a situação tende a se agravar com a implantação das UPPs em outras regiões fora do eixo Centro-Zona Sul-Tijuca, onde pelo menos as denúncias são mais fáceis de serem realizadas junto à imprensa, a órgãos do poder público e organizações defensoras dos Direitos Humanos.

domingo, 10 de junho de 2012

Mumia Abu-Jamal envia mensgem direto da prisão em seu aniversário de 58 anos

 
   Durante o protesto pela libertação de Mumia Abu-Jamal do lado de fora do Departamento de Justiça em Washington, DC, no último dia 24 de abril, foram lidas pelo menos duas mensagens dele e também de vários outros presos políticos. A seguir reproduzimos umas das falas de Mumia na passagem do seu aniversário de 58 anos.  Confira abaixo a mensagem:

Queridos irmãos e irmãs,

Com o passar dos anos, havia me esquecido de meu aniversário, e só o recordava quando minha mãe, minha esposa, minhas filhas e filhos me enviavam um cartão.

   É que no corredor da morte cada dia é como qualquer outro. E passar um dia com vida é a única forma de saber que não está morto. Custou anos de trabalho duro fazer do meu aniversário o que é hoje em dia - parte de um movimento, graças a todos vocês e ao Comitê Internacional de Familiares e Amigos de Mumia Abu-Jamal (ICFFMAJ, sua sigla em inglês).

   Agradeço a todas e a todos por sair às ruas hoje. Não importa se há 10 pessoas aí, ou 100, 200, ou muitas mais.

   Nos reunimos aqui hoje porque queremos justiça, e para usar as palavras do velho Partido Pantera Negra: Queremos liberdade. Queremos a abolição da pena de morte e a abolição do castigo de isolamento prolongado. Queremos o desencarceramento e a destruição do complexo carcerário massivo.

   Estados Unidos é a prisão do mundo. E se pensarem bem, os EUA aprisionam uma quantidade desconhecida e incontável de pessoas em prisões em toda parte do mundo - locais obscuros onde os seres humanos vivem em silêncio, a tortura, a morte. É o mesmo país que sabe que seus tribunais são injustos, mas não faz nada para mudar a situação.

Gastos da Copa do Mundo sobem para R$ 27,4 bilhões, segundo TCU

   Por Débora Zampier, da Agência Brasil

   Os gastos estimados da Copa do Mundo do Brasil subiram de R$ 25 bilhões para R$ 27,4 bilhões, segundo estudo divulgado nesta semana pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A principal novidade do levantamento é a previsão de gastos federais de R$ 371 milhões em telecomunicações.

   O último estudo consolidado do TCU foi divulgado em março. Desde então, as cidades-sede que registraram o maior salto de investimentos foram São Paulo (R$ 4,9 bilhões em março para R$ 6,2 bilhões em junho), Natal (de R$ 1 bilhão para R$ 1,7 bilhão) e Curitiba (R$ 318 milhões para R$ 863 milhões).

   A área que continua liderando a destinação de recursos é a de mobilidade urbana, que passou de R$ 10,9 bilhões há três meses para R$ 12 bilhões em junho. O investimento em aeroportos também subiu, de R$ 6,5 bilhões para R$ 7,3 bilhões. Não houve aumento expressivo nas verbas para estádios e portos no período. Os governos locais são a principal fonte de investimento, respondendo por 25,8% dos gastos totais.

   O estudo também mostra a evolução das obras nos estádios nos últimos meses. Entre as 12 cidades-sede, Fortaleza está com as obras mais adiantadas - o Estádio Governador Plácido Aderaldo Castelo, o Castelão, tem 62% das obras concluídas. A menor taxa de execução (11,2%) está em Curitiba, no estádio Arena da Baixada que passa por reformas.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Energia nuclear será tema de discussão na Rio+20, avisa diretor-geral da Aiea

Por Renata Giraldi, da Agência Brasil

   O desenvolvimento e uso adequados da energia nuclear serão discutidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Yukiya Amano, ressaltou hoje (4) que o assunto está entre os temas a serem discutidos no encontro que começa em nove dias.

   “A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio +20, que começa na próxima semana, debaterá sobre sobre energia sustentável, água, alimentos e oceanos dentro de um conceito de planejamento energético”, destacou Amano.

   O diretor mencionou a Rio+20 na abertura da segunda reunião de governadores (representantes de todos os países na agência). O discurso completo está disponível na página da Aiea na internet.

   Para as autoridades brasileiras, a Rio+20 será a maior conferência mundial sobre preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e economia verde definindo um novo padrão para o setor. A expectativa é que mais de 120 chefes de Estado e de Governo participem do evento. O presidente da França, François Hollande, e todos os líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) confirmaram presenças.

   No discurso de hoje, Amano fez um balanço sobre as atividades relacionadas às discussões para ampliar o desenvolvimento sustentável com base em energia nuclear. Segundo ele, é possível haver “boas práticas” e definir um planejamento a longo prazo. Para 2013, a Aiea organiza a Conferência Internacional Ministerial sobre Energia Nuclear do Século, que ocorrerá de 21 a 27 de junho, em São Petersburgo, na Rússia.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mobilizações em todo o mundo marcarão o Dia Mundial do Meio Ambiente

Por AsCom Cúpula dos Povos (Informe nº 36)

   Na terça-feira, 5 de junho, as organizações, redes e movimentos sociais que fazem parte da Cúpula dos Povos celebrarão o Dia Mundial do Meio Ambiente com a realização de atos em diversas partes do mundo.

   No Brasil, as maiores manifestações são aguardadas para Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital paulista, será montada no Largo do São Francisco (região central da cidade), das 10h às 16h, a Tenda Contra a Mercantilização da Vida, com o lema “Não à Economia Verde, por Uma Economia Solidária e pela Sociedade do Bem-Viver”.

   No Rio de Janeiro, acontecerão duas manifestações. Às 13h, a concentração ocorrerá em frente à sede do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), na Avenida Venezuela 110 – Praça Mauá. Às 16h30, outra manifestação está marcada em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), na Avenida Marechal Câmara 210 – Centro. Na Cinelândia, entre 13h30 e 15h30, também ocorrerão diversas intervenções promovidas por organizações que integram a Cúpula dos Povos.

   Também no Rio, acontecerá o 7º Encontro de Povos Tradicionais de Terreiro, rumo à Rio+20. Além da celebração do Dia do Meio Ambiente e de diversas discussões sobre direito e religião, haverá também o lançamento do livro “O Senhor de Nupê”, de Marcos Penna, que fala sobre Omolu, orixá que representa a Terra. As atividades acontecerão de 14h às 18h, no auditório do Mercadão de Madureira.

   Na Colômbia, o Dia Mundial do Meio Ambiente será marcado por um ato na cidade de Medelín, que até o dia 8 de junho sediará o Encontro Preparatório para a Cúpula dos Povos, organizado pela sociedade civil colombiana. Com o lema “Pela Defesa dos Bens Comuns, Não à Mercantilização da Vida”, o ato terá início às 9h (horário local), na Plaza de las Luces.